Mianmar e Bangladesh entram em acordo para repatriar rohingyas

Retorno de refugiados muçulmanos que fugiram de perseguição deve começar em novembro

Daca | Reuters e AFP

Bangladesh e Mianmar concordaram em começar no mês de novembro a repatriação de centenas de milhares de muçulmanos rohingyas que fugiram da perseguição do exército birmanês e hoje vivem em imensos campos sob condições precárias

Mais de 720 mil rohingyas saíram do oeste de Mianmar, país majoritariamente budista, para Bangladesh desde agosto de 2017, após ataques de insurgentes pertencentes a essa minoria terem desencadeado uma resposta militar do governo que a ONU classificou como genocídio

Mulher rohingya com seu filho em um campo de refugiados de Bangladesh
Mulher rohingya com seu filho em um campo de refugiados de Bangladesh - Altaf Qadri-27.ago.2018/AP

Em novembro do ano passado, os dois países anunciaram um plano de retorno, mas os refugiados se recusaram a voltar até que sua segurança fosse garantida e o processo estava parado desde então.

Nos últimos meses, autoridades de Mianmar registraram o retorno de mais de uma centena deles, mas Bangladesh afirma que o processo oficial ainda não começou.

"Esperamos iniciar a repatriação de agora até meados de novembro", declarou o secretário de Relações Exteriores de Bangladesh, Shahidul Haque, após reuniões em Daca entre os responsáveis dos dois países. "É a primeira fase”.

Do lado birmanês, o secretário permanente do ministério das Relações Exteriores, Myint Thu, afirmou que o acordo levou a um plano “muito concreto” para iniciar o processo em novembro. 

"Colocamos em prática uma série de medidas para garantir que eles terão um ambiente seguro para seu retorno”, disse à imprensa. "Mostramos nossa vontade política, nossa flexibilidade e nossa disponibilidade para começar a repatriação o antes possível.”

Uma missão da ONU foi em setembro ao estado de Rakhine, no noroeste de Mianmar, onde aconteceu o drama dos rohingyas, para avaliar as condição para um possível retorno dos refugiados, mas concluiu que em diversos locais se notava a “falta de confiança, os medos das comunidades vizinhas e um sentimento de insegurança”.

O relatório em que a ONU pede punição do comando das Forças Armadas birmanesas por praticar genocídio descreve uma longa lista de crimes contra a humanidade que teriam sido cometidos contra os rohingyas nos estados de Kachin, Shan e Rakhine. Entre eles, torturas, estupros, casos de escravidão sexual e perseguições.

No documento, divulgado em agosto deste ano, os especialistas mencionam ainda "extermínio e deportação" como dois crimes contra a humanidade cometidos em Rahkine. 

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