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Clóvis Rossi

Nem na Alemanha a ultradireita avança tanto

Partido Alternativa para Alemanha teve 11% dos votos na eleição da Baviera neste domingo

Os três estão sentados à mesa, com as mãos levantadas. Há bandeiras quadriculadas azuis e brancas na mesa e atrás deles
A vice-líder do AfD no Parlamento, Alice Weidel (centro), comemora ao lado da vice-líder local do partido, Katrin Ebner-Steiner, e do deputado MP Stephan Protschka o crescimento do partido na eleição na Baviera - Armin Weigel/dpa/AFP
Clóvis Rossi
São Paulo

Nem na Alemanha, berço do mais violento movimento político do mundo (o nazismo), nem mesmo na região do país (a Baviera) que é a quintessência do conservadorismo, inclusive em costumes, a ultradireita conseguiu um avanço tão impressionante como o que ocorreu há uma semana no Brasil.

É verdade que teve um bom desempenho a AfD (Alternativa para a Alemanha), partido xenófobo e que vem surfando na onda anti-imigrantes que assola a Europa. Obteve 10,4% dos votos, menos no entanto do que os 12,6% da eleição geral de 2017, suficientes para catapultá-la ao Parlamento e se tornar a maior sensação daquele momento.

Neste domingo, na Baviera, a sensação foi de diferente cor: os Verdes mais que duplicaram os 8,6% do pleito regional anterior (2013), chegaram a 17,8% e se tornaram o segundo partido.

Os verdes fizeram campanha defendendo fronteiras abertas (sinônimo óbvio de acolhida aos imigrantes), valores sociais liberais e a luta contra a mudança climática —pontos que são o avesso total à pregação dos ultraconservadores no mundo todo, Brasil inclusive.

A segunda sensação —e a mais destacada pela mídia global— foi a hemorragia de votos da CSU, a União Social-Cristã, braço da democracia cristã específico para a Baviera. É o irmão regional da CDU, da chanceler Angela Merkel.

A CSU perdeu 10,3 pontos percentuais em relação a 2013, caindo de 47,7% para 37,4%. Uma profunda humilhação para uma agrupação que governou sozinha em 49 dos 54 anos mais recentes e agora terá que procurar parceiros para uma coalizão.

Continua de todo modo a ser o partido mais votado, ao contrário do que aconteceu no Brasil no domingo (7), em que o partido no governo (o MDB) foi dinamitado e o partido do governo anterior (o PT) ficou atrás do PSL, partido até então nanico.

O que já não causa sensação é a desidratação contínua da social-democracia: o SPD caiu de 20,6% em 2013 para menos da metade agora 9,4%.

A social-democracia, parceira essencial para construir o Estado de Bem-Estar Social que é uma das marcas da Europa, parece caminhar para a irrelevância.

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