Príncipe saudita diz que morte de jornalista é 'dolorosa' e que 'justiça prevalecerá'

É a primeira vez que Mohammed bin Salman fala sobre o assassinato de Khashoggi, crítico do regime

Riad | Reuters

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, disse nesta quarta-feira (24) que o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi foi “doloroso” e que a “justiça prevalecerá”.

É a primeira vez que MBS, como é conhecido, fala sobre a morte de Khashoggi, crítico do governo de seu país que foi assassinado dentro do consulado saudita em Istambul, após entrar para tirar documentos.

Durante um painel de discussão na conferência internacional de negócios que ocorre no reino, o príncipe afirmou que todos os culpados serão punidos e que a Arábia Saudita e a Turquia vão trabalhar juntas para “obter resultados”.

Figuras políticas e empresariais desistiram de ir à conferência após a morte de Khashoggi, proeminente crítico do governo saudita.

O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman (no centro), em evento econômcio em Riad nesta quarta
O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman (no centro), em evento econômcio em Riad nesta quarta - Giuseppe Cacace/AFP

"O incidente que aconteceu foi muito doloroso, para todos os sauditas. O incidente não é justificável", disse.​ "A justiça vai aparecer no final.”

No domingo (21), o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita negou que o príncipe herdeiro tivesse conhecimento da operação para matar Khashoggi e disse que os agentes envolvidos "não eram pessoas próximas" do príncipe.

Mais cedo, nesta quarta, o presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, falou com MBS e os dois discutiram os passos necessários para trazer à luz todos os aspectos do assassinato de Khashoggi, afirmou uma fonte presidencial.

Oo presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou pela primeira vez que MBS pode estar envolvido na operação que levou à morte de Khashoggi, nesta quarta.

Na véspera, seu governo anunciou a revogação dos vistos de agentes da Arábia Saudita suspeitos de envolvimento no assassinato do jornalista saudita, colaborador do The Washington Post. 

Nesta quarta, a primeira-ministra britânica, Theresa May, também se somou às medidas de retaliação, anunciando a suspensão dos vistos dos envolvidos. 

Os comentários de Trump aumentaram a pressão sobre seu aliado próximo no meio da crise gerada após a morte do jornalista, no dia 2 de outubro.

Autoridades sauditas não comentaram até agora as declarações de Trump.

A Turquia e a Arábia Saudita vêm oferecendo diferentes versões sobre o que aconteceu dentro do consulado desde que Khashoggi desapareceu.

Autoridades turcas concluíram logo depois que Khashoggi havia sido alvo de um time de 15 agentes sauditas que o mataram e desmembraram dentro da missão diplomática. As autoridades dizem que suas conclusões são baseadas em gravações de áudio feitas dentro do consulado que mostram como o jornalista foi morto.

A Arábia Saudita negou saber o que tinha acontecido ao jornalista por duas semanas. No sábado (20), o reino mudou sua versão dramaticamente, anunciando que uma investigação preliminar havia revelado que Khashoggi foi morto depois de uma briga dentro do consulado.

Promotores sauditas disseram que 18 pessoas haviam sido detidas e que cinco funcionários haviam sido demitidos devido à ligação com o caso. Dois dos demitidos eram assessores próximos de MBS.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.