Turquia divulga imagens de agentes sauditas suspeitos pelo desaparecimento de jornalista

Donald Trump afirma ter tratado do tema 'nos mais altos níveis' com regime saudita

Istambul | Associated Press e Reuters

Imagens de câmeras de segurança divulgadas pela imprensa turca nesta quarta-feira (10) mostram a chegada de uma suposta equipe saudita a Istambul no dia do desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi, uma van preta deixando o consulado da Arábia Saudita após a entrada do jornalista, e a mesma equipe deixando o país naquela noite.

O grupo de 15 pessoas, segundo integrantes de investigação disseram aos jornais locais, era um esquadrão da morte que teria matado o jornalista, crítico do regime e colaborador do jornal americano Washington Post, no dia 2.

Naquele dia, o jornalista foi ao consulado para buscar documentos para se casar, mas não saiu mais do prédio. O líder turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que os sauditas precisam provar que o jornalista deixou o local com vida.

Imagem obtida de câmera de segurança mostra supostos sauditas que teriam envolvimento com o desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi, em aeroporto em Istambul - Demiroren News Agency / AFP

De acordo com o jornal Sabah, entre eles havia um médico legista especialista em autópsia, o que foi interpretado pelos investigadores turcos como um sinal de que Khashoggi foi esquartejado.

O jornal turco Hurriyet e outros meios de comunicação afirmaram que os 28 funcionários do consulado receberam folga no dia 2, sob alegação de uma "reunião diplomática". Não houve confirmação oficial dessa alegação.

O vídeo mostra a chegada às 2h38 (horário local) de dois jatos privados com o que seriam 15 sauditas. O jornal Sabah, próximo a Erdogan, disse ter identificado alguns membros do grupo, a quem chamou de "esquadrão assassino".

Entre 4h51 e 4h53, parte dos homens, com bagagem de mão, faz check-in no hotel Movenpick próximo ao consulado. Parte do grupo se dirige a outro hotel. Às 13h14, Khashoggi é visto entrando no consulado, vestido um blazer escuro e calças claras. 

Duas horas depois, dois veículos com placas diplomáticas (um sedã e uma van preta) passam pelo controle policial do lado de fora do consulado. A van se dirige à residência do cônsul-geral saudita, onde chega às 15h07. 

As câmeras de segurança mostram uma movimentação fora da casa, com homens entrando e saindo, até que a van estaciona na garagem.

Às 17h32, câmeras mostram a noiva de Khashoggi, Hatice Cengiz, do lado de fora do controle policial no consulado, falando no celular. O jornalista havia deixado seus celulares com ela antes de entrar e pedido que ela alertasse as autoridades caso não voltasse. Ela não voltou a ver o noivo. 

Cerca de 2h30 mais tarde, vários homens deixam o hotel com bagagens de mão. 

Nesta quarta, o Washington Post publicou artigo de Cengiz. Ela afirmou que o jornalista inicialmente visitou o consulado em 28 de setembro, "apesar de estar preocupado que poderia estar em perigo". Ele voltou no dia 2 após promessa de que receberia os documentos necessários para que os dois pudessem se casar.

"Eu imploro ao presidente Trump e à primeira-dama Melania para que joguem luz sobre o desaparecimento de Jamal", escreveu Cengiz. "Também insto a Arábia Saudita, especialmente o rei Salman e o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, para que exibam o mesmo grau de sensibilidade e divulguem as imagens de segurança do consulado."

Nesta quarta, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que tratou do tema "nos mais altos níveis" com o regime saudita. "Estamos perguntando tudo. Queremos saber o que está acontecendo. É uma situação muito séria para nós e para esta Casa Branca.

Imagem de câmera de segurança mostra o jornalista Jamal Khashoggi entrando no consulado saudita em Istambul, na Turquia, no dia 2 de outubro - CCTV/Hurriyet/Associated Press

​Arábia Saudita e EUA são fortes aliados políticos. Segundo a Casa Branca, o secretário de Estado, Mike Pompeo, o secretário de Segurança Nacional, John Bolton, e o assessor e cunhado de Trump Jared Kushner também pediram informações sobre o jornalista ao príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman.

Kushner tem uma relação próxima com o príncipe herdeiro saudita, que também foi motivo de críticas da oposição democrata.

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