Canais de TV dos EUA e Facebook rejeitam anúncio que associa migração e crime

Vídeo foi feito por doadores do Partido Republicano, de Donald Trump, para eleição desta terça

Washington

Os canais americanos NBC e Fox News e o Facebook disseram nesta segunda-feira (5) que deixarão de exibir um anúncio de doadores do Partido Republicano, do presidente Donald Trump, que associa a imigração ao crime.

Publicada na semana passada, a propaganda mostra imagens do mexicano Luis Brancamontes, condenado à morte no estado da Califórnia por matar dois policiais, rindo e dizendo: “Vou sair da cadeia rápido e vou matar mais.”

Um narrador diz, sem apresentar provas, que “Democratas vão deixá-los entrar no nosso país”, tendo como fundo imagens de pessoas da caravana de imigrantes centro-americanos pulando uma cerca na fronteira entre a Guatemala e o México, e finaliza: “Trump e os republicanos vão fazer a América segura de novo.”

A CNN já havia rejeitado a propaganda, chamando-a de racista. Questionado por jornalistas se ele pensava que o anúncio era ofensivo, Trump disse: “Muitas coisas são ofensivas. Muitas vezes suas perguntas são ofensivas.”

Apesar das críticas, a NBC o exibiu no jogo de futebol americano da noite de domingo (4) do New England Patriots e o Green Bay Packers, líder de audiência do horário. A MSNBC também o exibiu na manhã desta segunda.

“Após uma nova revisão nós reconhecemos o caráter insensível do anúncio e decidimos cessar sua transmissão em nossas emissoras o mais rápido possível”, disse a NBC Universal em um comunicado.

A presidência de vendas de publicidade da Fox News, Marianne Gambelli, também anunciou a retirada do comercial após revisão. A emissora conservadora publica normalmente pontos de vista favoráveis a Donald Trump.

O porta-voz do Facebook, Andy Stone, considerou a permissão para publicar o anúncio um erro. A rede social, no entanto, ainda autoriza seus membros a publicarem o vídeo em seus feeds de notícias.

Em resposta à proibição pelas empresas de mídia, o gerente de campanha de Trump, Brad Parscale, disse que elas escolheram ficar do lado dos imigrantes ilegais e que estão tentando controlar o que o americano vê e pensa.

No fim de semana, o filho mais velho do presidente, Donald Trump Jr., criticou a recusa da CNN. “Acho que eles só publicam fake news e não vão falar sobre as ameaças reais que não fazem parte de sua agenda”.

“A CNN deixou absolutamente claro em sua cobertura editorial que este anúncio era racista. Quando ofereceram a oportunidade de sermos pagos para colocar uma versão deste anúncio, nós recusamos”, disse a emissora.

Associated Press e Reuters

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