Cerca de 750 imigrantes de caravana da América Central conseguem chegar à fronteira dos EUA

Grupo está na cidade mexicana de Tijuana; EUA reforçam arame farpado

Imigrantes da caravana rumo aos Estados Unidos esperam para embarcar em ônibus em La Concha, no México; parte do grupo conseguiu atravessar a fronteira americana - Marco Ugarte/Associated Press
Escuinapa, México | Associated Press

Um grupo de cerca de 750 imigrantes de vários países da América central conseguiu chegar à fronteira americana, na cidade mexicana de Tijuana. As autoridades americanas fortificaram o arame farpado para tentar conter os imigrantes, parte de uma caravana com milhares de pessoas que tenta desde outubro chegar ao país.

Um primeiro grupo de 357 imigrantes chegou a bordo de nove ônibus à Tijuana nesta terça-feira (13). Outros 398 conseguiram chegar à fronteira nesta quarta (14).

Josue Vargas, um imigrante de Honduras que está há um mês na estrada, disse que não teve problemas em atravessar o território mexicano. “O México foi excelente. Os Estados Unidos, veremos."

Nesta quarta, o secretário de Defesa dos EUA, Jim Mattis, visitou as tropas americanas alocadas na fronteira sul do Texas e disse que a missão de impedir a entrada dos imigrantes é um bom treinamento para a guerra.  No dia anterior, o governo americano anunciou que estava reforçando a fronteira em Tijuana, à espera das caravanas.

Na terça, dezenas de imigrantes escalaram a grade de metal na fronteira de Tijuana gritando "sim, nós conseguimos". Um dos homens caiu para o lado americano, enquanto soldados vigiavam a distância. Ele rapidamente voltou à grade.

Nesta quarta, ônibus e caminhões levaram parte dos imigrantes pelo golfo da Califórnia  do estado de Sinaloa até Sonora, estado fronteiriço com os EUA. O padre Miguel Angel Soto, diretor da Casa do Migrante em Culiacan, capital de Sinaloa, disse que ao menos 2.000 pessoas chegaram à região.

O chefe de serviços de imigração da cidade mexicana, Cesar Palencia Chavez, disse que os imigrantes recusaram inicialmente a oferta para que fossem levados para abrigos. “Eles queriam ficar juntos em um único abrigo. Mas isso não é possível. Os abrigos são pequenos para todos e separados entre homens, mulheres e famílias", contou. Depois de visitarem a fronteira com o território americano, eles decidiram aceitar o realocamento.

A caravana partiu em 13 de outubro de San Pedro Sula, em Honduras, e percorreu mais de 1.500 km, a maior parte a pé.  Atualmente, três grupos se deslocam pelo território mexicano, algo entre 7.000 e 10.000 pessoas. A maioria diz fugir da pobreza, violência e instabilidade política que assola países da América Central como Honduras, Guatemala, El Salvador e Nicarágua.

O maior grupo está a cerca de 1.800 km da fronteira e se move rapidamente, avançando centenas de quilômetros por dia. Grupos menores foram vistos ao norte, nas cidades de Saltillo e Monterrey, já perto do Texas.

Cerca de 1.300 pessoas em uma segunda caravana descansam em um estádio na Cidade do México. O mesmo lugar abrigou o primeiro grupo da caravana na semana passada.

Tijuana, na costa do Pacífico, está a cerca de 2.800 km da Cidade do México, é a rota mais longa e a passagem para os Estados Unidos é um dos trajetos mais vigiados. A rota mais curta, de 1.000 km, é para Tamaulipas, na costa do Golfo de México, mas é a mais perigosa pela presença de cartéis de drogas. Em 2010 foram assassinados ali um grupo de 72 migrantes. 

México ofereceu refúgio, asilo e vistos de trabalho. Na segunda-feira (12), o governo mexicano disse ter emitido 2.697 vistos temporários para indivíduos e famílias para os 45 dias do processo de requerimento de um visto mais permanente. Outros 533 imigrantes pediram para voltar voluntariamente aos seus países, ainda segundo autoridades mexicanas.

Estes centro-americanos estão decididos a chegar aos Estados Unidos apesar de o presidente Trump, que os acusa de protagonizar uma "invasão", advertir que não será concedido asilo a quem entrar ilegalmente.

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