Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Sem reuniões com governo dos EUA, Eduardo Bolsonaro adia viagem

Deputado disse que se reuniria com Mike Pence, mas Casa Branca negou que encontro estivesse marcado

Júlia Zaremba
Washington

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), decidiu adiar a viagem que faria para os Estados Unidos na próxima semana. A nova data ainda não foi divulgada.

Segundo Filipe Martins, assessor para relações internacionais do PSL que acompanharia o deputado na viagem, a decisão foi tomada porque Eduardo terá que se dedicar a compromissos ligados à transição de governo nos próximos dias.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, se reuniu com Steve Bannon em Nova York em agosto
O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, se reuniu com Steve Bannon em Nova York em agosto - Reprodução

Eduardo afirmou na última terça-feira (6) a veículos de comunicação que embarcaria para os EUA na próxima segunda (12) para se encontrar com autoridades americanas, entre elas o vice-presidente, Mike Pence, e o secretário de Estado, Mike Pompeo.

A viagem, como escreveu em uma rede social, seria "parte de um esforço inicial de aproximação e boa vontade entre o Brasil e os EUA, duas nações amigas que foram afastadas nos últimos anos por motivos ideológicos".

A Casa Branca e o Departamento de Estado, contudo, não confirmaram esses encontros.

O vice-presidente, por exemplo, não estará em Washington na próxima semana, mas na Ásia, segundo a sua assessoria de imprensa.

Como foi anunciado no fim de agosto, Pence representará Donald Trump nas cúpulas da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático) e do Leste Asiático, ambas em Singapura. Depois, seguirá para a Papua-Nova Guiné, onde participará de reuniões da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico.

Eduardo afirmou que a sua viagem para os Estados Unidos foi promovida por um think tank americano (na verdade, um "pool de think tanks renomados de Washington", segundo o assessor do PSL, sem especificar quais seriam eles).

A Folha entrou em contato com 11 dos principais think tanks americanos para apurar se estavam envolvidos na iniciativa: American Enterprise Institute, Atlantic Council, Brazil Institute, Brookings Institution, Cato, Council on Foreign Relations, CSIS, Hudson Institute, Peterson Institute for International Economics, The Heritage Foundation, The Inter-American Dialogue. Desses, dez não estavam a par da iniciativa, e o Council of Foreign Relations não respondeu até a publicação deste texto.​

O estreitamento das relações entre a família Bolsonaro e os Estados Unidos vem ocorrendo desde o início da campanha. Em outubro de 2017, o então candidato a presidente participou de palestras fechadas com investidores e analistas na Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos e no Conselho das Américas.

No mesmo mês, Jair Bolsonaro cancelou uma palestra aberta ao público que faria na Universidade George Washington, na capital americana, a menos de 24 horas do início. Assessores afirmaram à época que ele havia decidido priorizar compromissos em Nova York.

O evento desencadeou uma onda de protestos. Um grupo de mais de 400 professores, estudantes e pesquisadores assinou uma carta repudiando a iniciativa da universidade de convidá-lo para palestrar.

Mark Langevin, então diretor do departamento para Brasil da instituição, defendeu a palestra como um "direito ao debate democrático".

Em agosto deste ano, Eduardo se encontrou com Steve Bannon, ex-estrategista-chefe de Donald Trump, e disse que os dois manteriam contato “para somar forças, principalmente contra o marxismo cultural”.

Em entrevista à Folha, Bannon afirmou que ficou "muito bem impressionado com Eduardo e seus assessores" e que tinham "a mesma perspectiva em relação à economia, estabilidade, lei e ordem". Disse ainda que, apesar de ter mantido contato com eles de forma informal durante a campanha, "eles não precisaram de nenhuma ajuda" porque "são muito sofisticados".

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