Em livro, Michelle recorda namoro com Obama e choque após vitória de Trump

Volume de memórias da ex-primeira-dama, 'Minha História' será lançado na próxima semana

Deb Riechmann
Washington | Associated Press

A ex-primeira-dama dos EUA Michelle Obama detona o presidente Donald Trump em seu novo livro, contando que entrou em choque quando soube que ele substituiria seu marido no Salão Oval e tentou "bloquear tudo".

Ela também denuncia a campanha de Trump chamada "birther", que questionava o local de nascimento e a cidadania de Obama, chamando-a de preconceituosa e perigosa, "deliberadamente destinada a instigar os malucos e excêntricos". 

Michele de roupa branca, sentada, sorrindo
Michelle Obama durante participação em programa de TV Charles Sykes - 11.out.2018/Invision/AP

Em seu livro de memórias, "Minha História" ("Becoming"), que será lançado mundialmente na próxima terça-feira (13), Michelle Obama escreve abertamente sobre tudo, como sua criação em Chicago, ter de enfrentar o racismo na vida pública e a sua incredulidade ao se tornar a primeira primeira-dama negra dos EUA.

Ela também reflete sobre suas primeiras lutas no casamento com Barack Obama, quando ele iniciou sua carreira política e com frequência estava distante.

A ex-primeira-dama revela, por exemplo, que enfrentou problemas para engravidar, e que suas duas filhas com Barack, Malia e Sasha, foram concebidas por fertilização in vitro.

Michelle escreve que eles consultaram um conselheiro matrimonial “um punhado de vezes” e ela passou a perceber que estava mais “no comando” de sua felicidade do que percebia. “Esse foi meu ponto de virada”, explica. “Meu momento de autoafirmação.”

No livro, ela diz ter pensado que Trump estivesse "se exibindo" quando anunciou sua candidatura presidencial em 2015. Ela expressa descrença sobre quantas mulheres escolheriam um "misógino" em vez de Hillary Clinton, "uma candidata com qualificação excepcional". Ela lembra que seu corpo "vibrava com fúria" depois de ver a infame gravação de "Access Hollywood", em que Trump se gaba de atacar mulheres sexualmente.

Ela também acusa Trump de usar a linguagem corporal para "perseguir" Clinton durante um debate eleitoral. Segundo Obama, Trump seguiu Clinton pelo palco, parando perto dela e "tentando diminuir sua presença". A mensagem do republicano, segundo Michelle, em palavras que aparecem no livro em negrito, era: "Eu posso feri-la e me safar com isso". 

A Associated Press comprou um exemplar antecipado de "Minha História", um dos livros políticos mais esperados dos últimos tempos. Michelle é admirada em todo o mundo e fez poucos comentários extensos sobre seus anos na Casa Branca. E memórias de ex-primeiras-damas, incluindo Hillary Clinton e Laura Bush, geralmente são campeãs de venda. 

Michelle Obama inicia sua turnê promocional na terça-feira (13) não em uma livraria, mas no United Center de Chicago, onde dezenas de milhares de pessoas compraram ingressos —de pouco menos de US$ 30 (R$ 112) a milhares de dólares— para participar do evento, moderado por Oprah Winfrey.

Outras escalas em uma turnê com dimensões de estrela do rock estão planejadas em grandes arenas, do Barclays Center em Nova York ao Los Angeles Forum, com convidados incluindo Reese Witherspoon e Sarah Jessica Parker. Alguns fãs criticaram o preço como alto demais, mas 10% dos ingressos de cada evento serão doados a instituições beneficentes, escolas e grupos comunitários.

Em "Minha História", Michelle compartilha sofrimento e alegria. Escreve carinhosamente sobre sua família e faz um relato detalhado de seu namoro com o futuro marido, que ela conheceu quando ambos trabalhavam na firma de advocacia de Chicago Sidley Austin; ela foi inicialmente assessora de Barack.

As secretárias afirmam que ele era ao mesmo tempo brilhante e "bonito", embora Michelle desconfiasse, dizendo no livro que as pessoas brancas "enlouquecem" sempre que você "põe um terno" em um "homem negro meio inteligente".

Ela também achou que a imagem dele tinha "um toque de brega". Mas ficou bem impressionada depois que o conheceu, por sua voz "de barítono, profunda e até sexy" e por sua "estranha e instigante combinação" de tranquilidade e força. "Esse estranho homem que mistura um pouco de tudo", quando ela finalmente o deixou beijá-la, provocou uma "explosão arrasadora de desejo, gratidão, realização, surpresa". 

Mas ao longo da vida política de seu marido ela lutou para equilibrar as necessidades públicas e privadas e para manter sua autoestima. Sofria pelo que temia ser uma imagem racista, de caricatura. Lembrou que foi rotulada de "irritada" e, pela rede Fox, de "Obama's Baby Mama". 

Às vezes temeu que estivesse prejudicando a campanha presidencial do marido em 2008, especialmente depois que os conservadores pegaram uma frase de um discurso dela --tirada de contexto, comenta Michelle- de que pela primeira vez como adulta ela estava "realmente orgulhosa" de seu país. 

Os comentários desapareceram do noticiário, mas ela sentiu um dano duradouro, uma "semente perniciosa", uma "percepção" de que era "ranzinza e vagamente hostil". Como a primeira primeira-dama negra, Michelle Obama sabia que seria rotulada de "outra" e teria de conquistar a aura de "graça" dada liberalmente a suas antecessoras brancas. Ela encontrou confiança em repetir para si mesma um "mantra" favorito: "Sou boa o suficiente? Sim, eu sou". 

"Minha História" faz parte de um acordo editorial conjunto com o ex-presidente Barack Obama, cujas memórias são esperadas para o próximo ano, que, acredita-se, chega a dezenas de milhões de dólares. Os Obama disseram que doarão uma "parte significativa" de seus ganhos como autores a instituições beneficentes, incluindo a Fundação Obama. 

Muito elogiada como oradora e comunicadora talentosa, Michelle sempre disse que não pretende disputar cargos eleitos, mas realizou comícios no estilo de campanha eleitoral antes das eleições de meio de mandato, pedindo que as pessoas se registrassem para votar. Os comícios fizeram parte de seu trabalho como copresidente da organização sem fins lucrativos e apartidária When We All Vote [Quando Todos Votamos].

No ano passado, ela lançou um programa para ajudar a empoderar meninas em todo o mundo através da educação. A Global Girls Alliance [Aliança Global de Meninas] visa apoiar mais de 1.500 organizações de base que combatem os problemas enfrentados pelas meninas em suas comunidades.

Minha História

  • Preço R$ 59,90
  • Autor Michelle Obama
  • Editora Objetiva
Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.