Eleição nos EUA ameaça domínio republicano nos governos estaduais

Além de decidir o Congresso, também serão escolhidos os comandantes de 36 estados

Júlia Zaremba
Washington

As eleições desta terça (6) nos Estados Unidos vão decidir além do Congresso, também o futuro de 36 dos 50 estados americanos, hoje comandados em sua maioria por governadores republicanos (26, ante nove democratas e um independente).

Do total de candidatos, 18 tentam a reeleição: 13 do partido Republicano e 5, do Democrata.

Os democratas devem assumir o controle de uma parte dos estados que hoje estão nas mãos de adversários, segundo estimativa do site FiveThirtyEight publicada nesta segunda (5), mas boa parte das disputas será acirrada.

A democrata Stacey Abrams, que tenta ser a primeira mulher negra a governar um estado americano, está em segundo lugar nas pesquisas na Geórgia
A democrata Stacey Abrams, que tenta ser a primeira mulher negra a governar um estado americano, está em segundo lugar nas pesquisas na Geórgia - Jessica McGowan - 2.nov.18/Getty Images/AFP

Na Geórgia, por exemplo, a democrata Stacey Abrams, que ganhou o apoio da apresentadora Oprah Winfrey e pode se tornar a primeira governadora negra dos Estados Unidos, está cerca de três pontos percentuais atrás do concorrente, Brian Kemp, segundo o site Real Clear Politics.

O republicano é apoiado peplo presidente Donald Trump, que, inclusive, participou de um ato de campanha a favor do candidato no último domingo no estado.

A força do presidente foi comprovada nas primárias: antes do pleito, o republicano apoiou 12 nomes, segundo o site Ballotpedia, que reúne dados sobre eleições nos EUA. Apenas um deles perdeu: Foster Friess, em Wyoming.

Na Flórida, que há quase 20 anos não elege um governador democrata, o prefeito da cidade de Tallahassee, Andrew Gillum, está em torno de quatro pontos percentuais à frente do republicano Ron DeSantis, ferrenho apoiador de Trump. A vitória de Gillum também representaria um marco: ele seria o primeiro governador negro a representar o estado.

Estados como Nevada, Ohio, Wisconsin e Maine são outros exemplos de lugares com disputas acirradas.

A corrida para o governo estadual também conta com candidatos de fora do establishment político.

Do lado republicano, é o caso dos empresários John Cox, na Califórnia, e Bill Lee, no Tennessee —enquanto o primeiro está atrás do adversário nas pesquisas de intenção de voto, o segundo lidera por mais de dez pontos percentuais, segundo o Real Clear Politics.

Entre os democratas, um exemplo é o ex-diretor da NAACP (associação nacional para o progresso das pessoas de cor), Ben Jealous, que concorre em Maryland, mas tem poucas chances de vencer (está quase 20 pontos percentuais atrás do concorrente).

A corrida para o governo estadual deste ano é importante principalmente por causa do poder que os mandatários terão de aprovar ou vetar o redesenho dos mapa distritais elaborado por legisladores locais,  após o censo de 2020.

Nesses casos, é comum uma prática conhecida como prática conhecida como gerrymandering, na qual um determinado partido desenha um mapa que o favorece e prejudica o adversário. 

Ao mudar os limites de cada lugar, de acordo com interesses próprios, os legisladores conseguem eliminar parte dos eleitores rivais e diminuir a força do oponente nas eleições. Isso afeta a constituição da Câmara dos Representantes e, por consequência, os projetos de lei que serão aprovadas pelos congressistas.

Os resultados do pleito estadual também servirão como um referendo sobre o governo de Trump, especialmente porque a maior parte dos estados na disputa é comandado por republicanos.

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