Greve na Aerolíneas Argentinas afeta 30 mil passageiros

Mais de 200 voos foram cancelados devido à paralisação de funcionários

Sylvia Colombo
Buenos Aires

Uma paralisação de sindicatos que atuam na área de transporte aéreo fez com que a companhia Aerolíneas Argentinas cancelasse 243 voos nesta quinta-feira (8), entre nacionais e internacionais (incluindo alguns destinos no Brasil), afetando 30 mil passageiros.

A greve foi encerrada às 17h30 (18h30 em Brasília), sem anúncios de negociações da companhia com os sindicatos. A Aerolíneas informou que já está reacomodando os passageiros que estão desde a manhã esperando para voar e estima que em três horas o serviço estará normalizado.

Centenas de pessoas se acumularam durante o dia nos salões de check-in dos aeroportos Jorge Newbery (Aeroparque) e Ezeiza, ambos em Buenos Aires.

Passageiros esperam em aeroporto de Buenos Aires durante greve de funcionários - Marcos Brindicci/Reuters

A empresa anunciou que o cancelamento dos voos foi necessário por conta de uma greve de pilotos, controladores de voo e pessoal de terra.

Em tom de emergência, a companhia pediu dinheiro extra ao Estado, como vem fazendo nos últimos meses. O presidente argentino, Mauricio Macri, porém, perdeu a paciência. Num discurso de inauguração de uma obra na Província de Buenos Aires, afirmou que não era possível que o Estado tivesse que "colocar dinheiro extra todo mês na empresa" e que esta, desde que voltou a ser estatal, tem sido sustentada por subsídios e ajudas extras.

O presidente acrescentou que a volatilidade da moeda (que se desvalorizou 55% desde abril) e o preço do petróleo vêm aumentando a necessidade de financiar ainda mais a empresa. "Não é justo que 95% da Argentina pare para que a Aerolíneas funcione. No mês passado, o auxílio extra foi de 1 bilhão de pesos, não podemos exigir mais sacrifícios ao contribuinte."

Macri pediu que a empresa se reúna com urgência com os sindicatos e que negocie uma solução. Os trabalhadores pedem um reajuste de salários acima do estabelecido na negociação paritária, realizada quando a inflação estava a 15% —agora está em quase 30%, com expectativa de fechar o ano em 50%. 

 
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