Netanyahu evita eleição antecipada em Israel após recuo de ministro

Chefe da Educação surpreende e permanece no governo mesmo após ter pleito pela Defesa recusado

Jerusalém | Reuters

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, evitou uma eleição antecipada depois que o líder de um partido aliado anunciou, nesta segunda-feira (19), que não pretende deixar a coalizão que sustenta o governo com maioria parlamentar de uma cadeira.

O ministro da Educação israelense, Naftali Bennett, fala em entrevista coletiva nesta segunda (19) em Jerusalém
O ministro da Educação israelense, Naftali Bennett, fala em entrevista coletiva nesta segunda (19) em Jerusalém - Thomas Coex/AFP

O recuo do ministro da Educação, Naftali Bennett, surpreendeu muitos especialistas que haviam previsto que o líder do partido de extrema direita Casa Judaica renunciaria em protesto depois que Netanyahu rejeitou sua exigência de ser nomeado ministro da Defesa.

“Às vezes se ganha, às vezes se perde”, disse Bennett em um discurso televisionado, minimizando o fato de Netanyahu ter rejeitado seu pleito pela chefia da Defesa, vista há tempos em Israel como a segunda pasta mais importante do gabinete.

Caso Bennett tivesse retirado seu partido da coalizão enfraquecida, como membros da legenda ameaçaram fazer nos últimos dias, Netanyahu teria ficado com um governo de minoria, tornando provável a realização de uma eleição nacional antes da data oficial de novembro de 2019.

Hoje, a coalizão governista conta com 61 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense.
Bennett disse que o Casa Judaica retirou todas as suas exigências políticas e que permanecerá ao lado do premiê, reeleito em 2015 para um quarto mandato.

Cercado por quatro investigações de suspeita de corrupção, Netanyahu —que nega irregularidades e se diz alvo de uma “caça às bruxas”— já vinha enfrentando dificuldades antes da renúncia do ultranacionalista Avigdor Lieberman, ex-ministro da Defesa.

Ao renunciar na última quarta (14), Lieberman, que lidera o partido Beitenu, atacou o governo por ter aceitado uma trégua com o Hamas, grupo terrorista que controla a faixa de Gaza, em meio à maior escalada de violência na região desde 2014, quando uma guerra de 50 dias entre israelenses e palestinos deixou mais de 2.000 mortos.

“O Estado compra tranquilidade a curto prazo ao preço de graves danos a longo prazo para a segurança nacional”, disse Lieberman, que considerou a trégua uma “capitulação ante o terrorismo” e pediu eleições antecipadas. Com a saída do ultranacionalista, Netanyahu assumiu interinamente a pasta da Defesa.

O cessar-fogo, intermediado pelo Egito, foi anunciado na terça-feira (13) por militantes palestinos em Gaza.

A escalada de violência começou no último dia 11, após uma operação secreta do Exército israelense matar um líder do Hamas, e outros seis palestinos. Um tenente-coronel israelense também morreu na ação.

Com isso, os palestinos passaram a lançar no dia 12 foguetes em direção a Israel, que respondeu com bombardeios. Militares israelenses afirmaram que 400 foguetes foram disparados pelos palestinos.

Em retaliação, Israel atingiu dezenas de postos militares e depósitos de armas em toda Gaza, mas também arrasou uma estação de TV e rádio do Hamas, um prédio de escritórios e o quartel-general de inteligência do grupo.

Ao menos dez palestinos e um israelense foram mortos após os bombardeios.

Apesar da recente troca de foguetes mais intensa, episódios de violência na região se tornaram semanais desde 30 de março, quando palestinos lançaram protestos às sextas-feiras na fronteira com Israel.

Mais de 220 palestinos foram mortos em confrontos com forças de segurança de Israel desde então —no mesmo período, dois soldados israelenses morreram.

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