Descrição de chapéu Governo Trump

Reduto democrata, Nova York tem eleitores unidos contra Trump

Eleitores dizem que comparecimento na cidade está alto e criticam o presidente

Danielle Brant
Nova York

Em Nova York, votar nas eleições de meio mandato presidencial de 2018 não é somente escolher um candidato ao Congresso ou ao governo. É, principalmente, deixar claro o descontentamento com a administração de Donald Trump e sua retórica, considerada desagregadora.

A cidade e o estado são reconhecidamente um reduto democrata e progressista. Atualmente, o prefeito Bill de Blasio e o governador Andrew Cuomo —que busca seu um terceiro mandato nesta terça (6)— pertencem ao partido.

Cuomo particularmente tem sido uma voz ativa em criticar o presidente americano, e já afirmou que Nova York será a resistência contra as medidas do republicano.

Colégio no Harlem, em Nova York, onde ocorre votação
Colégio no Harlem, em Nova York, onde ocorre votação - Danielle Brant/Folhapress

Esse sentimento encontra eco em Eloise Parrish, 74, que votou nesta terça (6) num colégio no Harlem, região que reúne cerca de 230 mil habitantes —a maioria negra ou hispânica.

“A forma como esse país está agora...precisamos de uma mudança. E meu voto serve para algo. A retórica do presidente Trump está dividindo essa nação e esse país. Nós estamos nisso juntos, e podemos mudar isso”, afirma.

Ela diz votar desde que tem 18 anos, idade mínima legal nos EUA. “Esse país está muito dividido. Eu cresci quando a segregação estava terminando, eu sempre fui ensinada a tratar as pessoas do jeito que eu queria ser tratada e como amar aos outros”, ressalta.

Parrish afirma estar inspirada pelo movimento que viu no colégio eleitoral, onde diz ter notado um grande comparecimento. “As midterms vão determinar quem o próximo presidente vai ser. Estou otimista.”

Naimatu Mohammed, 35, avalia que a divisão nos EUA piorou desde que o republicano assumiu, em janeiro de 2017. “Esse país está cheio de ódio, tem muita discriminação, é um país dividido em dois. Temos o lado negro, e o branco”, diz.

“Eu quero votar porque as coisas que estão acontecendo agora, precisamos de uma mudança. A política está saindo do controle, precisamos de pessoas melhores que venham para mudarmos para melhor.”

Elis Norris, 76, após votar em um colégio em Nova York; ela está pessimista com o futuro da política americana
Elis Norris, 76, após votar em um colégio em Nova York; ela está pessimista com o futuro da política americana - Danielle Brant/Folhapress

Menos otimista está Elis Norris, 76. Para ela, o resultado da eleição não deve trazer muita mudança no cenário político americano. “Eu não espero que alguma coisa mude para melhor. A maioria dos políticos não faz nada por pessoas que não se pareçam com eles.”

Norris diz que Trump reflete a mentalidade de muitos americanos. “Você tem que ser um ignorante, um tolo, em achar que eles deixariam uma mulher [Hillary Clinton] se tornar presidente”, afirma. “Tem muitas pessoas que sentem dessa maneira que ele se sente.”

John Gonzalez, 35, diz que a eleição vai ser importante para redesenhar o futuro dos EUA. “Ficamos cômodos com Obama no poder. Nos últimos dois anos, o Congresso foi dominado pelos republicanos. Eles têm sua própria agenda, e espero que isso mude com a votação.”

Ele afirma ter notado uma diferença na importância da votação desse ano em relação às anteriores. “Anos atrás, as midterms não foram tão importantes. Eu votei nas últimas. Há um sentimento de abalo com a forma como ele [Trump] mexeu com o mundo”, diz.

Gonzalez diz que a administração do republicano já seria suficiente para mobilizar os eleitores contrários à gestão. “Se isso não contar, eu não sei como mais posso convencer alguém a votar.”


 

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