Trump questiona conclusão da CIA sobre culpa de príncipe em morte de jornalista

Agência apontou que monarca saudita teve participação no assassinato

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante evento na Casa Branca
O presidente dos EUA, Donald Trump, durante evento na Casa Branca - Carolyn Kaster/Associated Press
Danielle Brant
Nova York

O presidente americano, Donald Trump, expressou dúvidas nesta terça-feira (20) sobre a conclusão de investigação da CIA (agência de inteligência americana) que responsabilizou o príncipe saudita, Mohammed bin Salman, pela morte do jornalista Jamal Khashoggi.

Em comunicado intitulado “America First!” (“América Primeiro”), o republicano afirmou que as agências de inteligência americana continuam a analisar toda informação, “mas que poderia muito bem ser que o príncipe herdeiro tivesse conhecimento deste trágico evento —poderia ter ou poderia não ter!”

“Dito isso, nós podemos nunca saber de todos os fatos que cercam o assassinato do sr. Jamal Khashoggi”, disse. “Em qualquer caso, nossa relação é com o reino da Arábia Saudita. Eles têm sido um grande aliado em nossa importante luta contra o Irã.”


Khashoggi, crítico da monarquia do país e colaborador do jornal The Washington Post, foi morto no mês passado, no consulado saudita em Istambul, na Turquia. Desde então, a Casa Branca tem resistido em aceitar a teoria de que o príncipe dirigiu o assassinato.

Os EUA precisam de apoio da Arábia Saudita para tocar as prioridades de política externa americana e têm necessidade de administrar as relações próximas entre Mohammed e a gestão Trump. O príncipe herdeiro mantém relação próxima com Jared Kushner, genro e conselheiro do presidente americano.

No comunicado de oito parágrafos, o republicano lembrou que a Arábia Saudita considerava o jornalista “inimigo de estado” e membro da Irmandade Muçulmana. No entanto, insistiu que sua decisão não se baseou nesses fatores.

Também descartou cortar negócios com a Arábia Saudita, dizendo que Rússia e China se beneficiariam disso.

Trump ainda criticou o Congresso, onde tramitam medidas que buscam punir o aliado do presidente.
“Eu entendo que há membros do Congresso que, por razões políticas ou outras, gostariam de seguir uma direção diferente —e eles são livres para isso. Eu vou considerar todas as ideias apresentadas a mim, mas só se forem consistentes com a absoluta segurança da América.”

O presidente deve receber, ainda nesta terça, uma avaliação da CIA sobre o assassinato do jornalista.

A monarquia saudita nega qualquer relação do príncipe com o crime.
Para chegar à conclusão de que Mohammed era responsável, a CIA analisou múltiplas fontes de informações sobre o caso, incluindo um telefonema que o irmão do príncipe Khalid bin Salman, embaixador saudita nos EUA, fez para Khashoggi, segundo fontes que tiveram acesso ao relato.

A conclusão foi baseada ainda na avaliação da própria agência de que o príncipe herdeiro é o comandante real do país e controla cada aspecto do reinado saudita.

Khalid disse ao jornalista que ele deveria ir ao consulado em Istambul para pegar documentos e deu a ele garantias de que estaria seguro.

A operação teria saído do controle quando o jornalista foi amarrado e recebeu uma injeção com grande quantidade de uma droga que lhe causou overdose e sua posterior morte.

Na última quinta (15), o procurador-geral da Arábia Saudita culpou pelo assassinato um grupo de agentes enviados a Istambul para repatriar Khashoggi.

O procurador acusou 11 suspeitos pelo crime e pediu a pena de morte para cinco deles.

Segundo a Procuradoria-geral saudita, seu corpo foi esquartejado e retirado do edifício. Não se sabe onde estão seus restos mortais. 

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.