Descrição de chapéu Governo Trump

Uso de fake news nos EUA em 2018 já ultrapassa eleição de Trump, diz Oxford

Quantidade de material falso divulgado na disputa legislativa deste ano é maior do que em 2016

Mãos de dois homens aparecem puxando jornais
Ação da Faculdade de Jornalismo da Universidade Columbia mostra notícias falsas em jornais de papel em uma banca de Nova York - Angela Weiss - 30.out.18/AFP
Bruno Benevides
São Paulo

A quantidade de fake news e material de ódio distribuída nas redes sociais sobre assuntos políticos está crescendo nos EUA e já é maior hoje do que era em 2016 durante a eleição de Donald Trump, mostra um estudo da Universidade de Oxford.

O levantamento, divulgado na quinta (1º), analisou o material compartilhado no último mês no Twitter e no Facebook relacionado à eleição americana, que ocorre na próxima terça-feira (6), quando os democratas tentarão tirar dos republicanos o controle da Câmara e do Senado.

Os pesquisadores concluíram que os esforços prometidos pelas duas empresas para combater a disseminação desse tipo de material nas redes não surtiu o efeito esperado."‚

Assim, o número de notícias falsas ou não confiáveis distribuídos no atual ciclo eleitoral americano já superou o de 2016, quando o assunto ganhou destaque.

"As plataformas tomaram medidas, mas enquanto pessoas continuarem a divulgar desinformação, o problema vai continuar", disse Nahema Marchal, doutoranda do Instituto de Internet de Oxford e uma das autoras do estudo.

Ela e três colegas se debruçaram sobre as "junk news" (notícias lixo), uma classificação que engloba não apenas conteúdo falso, mas que também inclui teorias da conspiração e material ofensivo.

Ao todo o grupo analisou 2,5 milhões de tuítes e encontrou as contas que mais espalharam esse tipo de notícia. Com isso em mãos, os pesquisadores buscaram os perfis de Facebook ligadas a estes sites —7.000 páginas da plataforma foram observadas.

A equipe de Oxford criou um site que mostra em tempo real o material que está sendo divulgado por essas páginas.

É possível encontrar, por exemplo, um artigo que acusa o ex-presidente Barack Obama de financiar organizações terroristas. Outro diz que um imigrante da caravana de centro-americanos que se dirige aos EUA tentou derrubar um helicóptero a pedradas no México.

Para os pesquisadores, a distribuição de fake news antes era restrita a perfis ligados a ação da Rússia ou às franjas do espectro político, em especial a sites de extrema-direita. Em 2018, porém, o modelo se disseminou entre grupos mais moderados, em especial do lado conservador.

As páginas no Facebook foram agrupadas conforme sua posição política e receberam uma avaliação que varia de 0 (nenhuma interação com "junk news") a 100 (só interage com esse tipo de material).

Os perfis da extrema-direita receberam a maior nota, 89, enquanto o grupo da direita tradicional, que inclui o Partido Republicano, recebeu 83.

Já as páginas ligadas a causas progressistas, como o feminismo e o direito ao aborto, receberam 46. E a esquerda institucional, de oposição a Trump, recebeu 24, nota mais alta apenas do que o 20 recebido pelos sites jornalísticos.

"A raiva e a emoção se disseminam mais rápido que a informação nas redes sociais", disse Marchal.

O aumento da distribuição de "junk news" se refletiu também na proporção em que esse tipo de material pode ser encontrado no Twitter.

Em 2016, 20% das notícias foram classificadas dessa forma, número que agora subiu para 25%, contra 19% das notícias feitas pelo jornalismo profissional e 5% de fontes oficiais, como partidos políticos, governos e universidades.

Nunca os pesquisadores de Oxford tinham encontrado um número tão alto de "junk news" nos países pesquisados —o que inclui a eleição presidencial brasileira e outros cinco pleitos, entre eles os de Alemanha e México.

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