Arábia Saudita diz que resoluções aprovadas por Senado dos EUA são 'interferência'

Na quinta, senadores responsabilizaram príncipe herdeiro por morte de jornalista

Riad (Arábia Saudita) | Associated Press

A Arábia Saudita emitiu nesta segunda-feira (17) uma nota em que repreendeu o Senado americano, rejeitando uma resolução bipartidária que responsabilizou o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman (MBS) pela morte do jornalista Jamal Khashoggi e qualificando-a de interferência nos assuntos internos do reino. 

Na última quinta-feira (13), senadores americanos aprovaram a resolução que, além de culpar MBS, instou Riad a garantir uma responsabilização apropriada pela morte do jornalista saudita. Os senadores também passaram outra resolução em que pedem o fim da ajuda americana à guerra liderada pela Arábia Saudita contra o Iêmen

Na nota, a Arábia Saudita afirmou que a resolução americana contém "flagrantes interferências" nos assuntos internos do reino e prejudica seu papel regional e internacional. O texto diz que a resolução foi baseada em "alegações não substanciadas".

"O reino rejeita categoricamente qualquer interferência em seus assuntos internos, qualquer e toda acusação, em qualquer forma, que desrespeite sua liderança, e quaisquer tentativas de prejudicar sua soberania ou diminuir sua estatura", diz a nota. 

No entanto, no texto o reino saudita também "reafirma" seu comprometimento com as relações com os EUA e descreve o Senado como um corpo legislativo estimado de um governo aliado e amigável".

O presidente Donald Trump tem relutado em condenar o príncipe herdeiro, apesar de a inteligência americana ter concluído que MBS deve ter tido pelo menos conhecimento do plano para matar o jornalista. Em vez disso, Trump defendeu um acordo de armas que vale bilhões de dólares e agradeceu os sauditas pelos preços de petróleo mais baixos.

A Arábia Saudita nega que MBS tenha se envolvido na morte de Khashoggi, colunista do Washington Post que escreveu artigos críticos ao príncipe saudita. 

Sob pressão internacional, o reino reconheceu que o plano foi desenvolvido por agentes sauditas próximos ao príncipe. 

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