Conheça a história dos nipo-americanos encarcerados nos EUA na 2ª Guerra

Há exatos 77 anos, ataque japonês a Pearl Habor motivaria detenção em 'campos de internamento'

San Francisco

Satsuki Ina nasceu por trás do arame farpado, em um campo de prisioneiros durante a Segunda Guerra Mundial. Ela era filha de cidadãos americanos que foram forçados a deixar sua casa e que passaram anos presos  depois do ataque japonês a Pearl Harbor, há exatos 77 anos.

Menos de dois meses depois, o presidente Franklin Roosevelt assinou a Ordem Executiva 9.066 cujo objetivo era proteger o país contra espionagem e sabotagem. Notificações começaram a ser publicadas instruindo pessoas de ascendência japonesa a se apresentarem às autoridades.

Cerca de 120 mil imigrantes japoneses e pessoas nascidas nos EUA mas descendentes de japoneses foram enviados a campos de detenção em áreas isoladas do oeste americano. Dois terços eram cidadãos americanos. Milhares eram idosos, deficientes físicos, crianças e bebês.

Crianças de origem japonesa que foram presas recitam o Juramento de Fidelidade à Bandeira (“Pledge of Allegiance”) em 1942
Crianças de origem japonesa que foram presas recitam o Juramento de Fidelidade à Bandeira (“Pledge of Allegiance”) em 1942 - Dorothea Lange/Associated Press

Famílias desesperadas venderam suas propriedades a preços irrisórios e colocaram tudo que podiam nas malas. As mais afortunadas entre elas tinham amigos brancos que concordaram em tomar conta de suas casas, fazendas e empresas.

“Outras pessoas, que não tinham como pagar suas hipotecas, suas contas, perderam tudo. Tiveram de recomeçar do zero depois da guerra”, diz Rosalyn Tonai, diretora da Sociedade Histórica Nipo-Americana.
As ordens contra os americanos de origem japonesa foram revogadas ao final da guerra, em 1945. Eles voltaram às suas regiões de origem, mas enfrentaram hostilidades e discriminação.

Uma comissão parlamentar atribuiu o encarceramento a “preconceito racial, histeria de guerra e uma falha da liderança política” em 1980.

Em 1988, o presidente Ronald Reagan concedeu aos sobreviventes dos campos de detenção uma indenização de US$ 20 mil e fez um pedido formal de desculpas em nome do governo.

Associated Press

Tradução de Paulo Migliacci

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