Cuba assina acordo para jogadores de beisebol jogarem em times dos EUA sem ter de desertar

Acordo é avanço para combater tráfico de jogadores cubanos aos EUA

Havana | Associated Press

Os jogadores de beisebol cubanos poderão, a partir de agora, assinar contratos com as principais equipes do esporte nos Estados Unidos sem ter que desertar da ilha, um esforço para limitar o tráfico de jogadores entre os dois países nas últimas décadas.

O avanço faz parte de um acordo assinado entre a principal liga de beisebol dos Estados Unidos, a associação de jogadores americanos e a Federação Cubana de Beisebol.

Ele é válido até 31 de outubro de 2021 e garante aos cubanos o direito de voltar ao país fora da temporada de jogos nos EUA e até mesmo jogar por um time cubano nesse período, se o clube americano autorizar.

"Durante anos, a Liga Principal de Beisebol em procurado acabar com o tráfico de jogadores de beisebol de Cuba por organizações criminosas, criando uma alternativa legal e segura para esses jogadores assinarem com clubes da liga principal", disse o comissário de beisebol Rob Manfred, em comunicado. 

Crianças cubanas praticam beisebol em um campo de Havana, em Cuba, onde o esporte é preferência nacional - Yamil Lage/AFP

"Acreditamos que esse acordo cumpre esse objetivo e permitirá que a próxima geração de jogadores cubanos persiga seus sonhos sem passar por muitas das dificuldades enfrentadas pelos atuais e ex-jogadores cubanos da liga."

Dependendo da qualidade dos futuros jogadores, o acordo pode significar milhões de dólares em verba para a federação cubana, que viu a qualidade dos jogadores e instalações nacionais diminuir nos últimos anos com o êxodo de talentos.

O acordo marca ainda um passo à frente nas relações entre Cuba e os EUA, em um momento de tensão da ilha com o governo do republicano Donaldo Trump, que prometeu desfazer a retomada de relações aprovada por seu antecessor, o democrata Barack Obama, em 2014.

A liga americana disse que o acordo foi possível por uma licença geral emitida pelo Departamento de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA em 2016, que não era específica para o beisebol.

Quaisquer litígios entre a liga americana e a federação cubana estão sujeitos a resolução pela Câmara Internacional de Comércio.

"Estabelecer um processo seguro e legal para entrar em nosso sistema é o passo mais importante que podemos dar para acabar com a exploração e a ameaça dos jogadores cubanos que buscam carreiras na Liga Principal de Beisebol", disse o chefe do sindicato, Tony Clark, em um comunicado. “A segurança e o bem-estar desses jovens continua sendo nossa principal preocupação.”

Somente os jogadores contratados pela federação cubana são incluídos pelo acordo.

O órgão cubano concordou em liberar todos os jogadores com 25 anos ou mais e pelo menos seis anos de experiência profissional. Eles seriam classificados como profissionais internacionais nos termos do contrato de trabalho da liga americana com a associação de jogadores. Um jogador pode decidir se quer que um agente da liga americana negocie seu contrato da liga principal. 

A federação cubana pode, a seu critério, liberar os jogadores mais jovens para assinar contratos com times menores.

O senador norte-americano Jeff Flake, republicano do Arizona, classificou o acordo de homerun. "Este contrato tornará a vida melhor para os jogadores de beisebol cubanos, que não terão mais o risco de uma viagem insegura até os Estados Unidos".

"Hoje é um dia em que estou extremamente feliz", disse em comunicado o ex-jogador do Los Angeles Dodgers Yasiel Puig, que foi levado de Cuba aos EUA por traficantes de drogas mexicanos. “Saber que os futuros jogadores cubanos não terão que passar pelo que passamos me faz tão feliz.”

"As palavras não podem expressar plenamente minha alegria sincera", disse José Abreu, primeira base do Chicago White Sox, em um comunicado. “Lidar com a exploração de contrabandistas e agências inescrupulosas finalmente chegará ao fim para o jogador de beisebol cubano. Até hoje, ainda estou sendo assediado.” 

Enquanto Puig, Orlando e Livan Hernandez, José Contreras e outros se tornaram estrelas nas principais ligas, outros cubanos tiveram menos destaque.

Rusney Castillo assinou um contrato de US$ 72,5 milhões para sete anos com o Boston, em 2014, e apareceu em apenas 99 jogos com o Red Sox e outros 347 nas ligas menores.

Qualquer jogador que assinar com clubes da grande liga pode fazê-lo sem sair de Cuba, e a taxa paga pelo time seguirá as regras americanas: 20% dos primeiros US$ 25 milhões de um contrato da liga principal, 17,5% dos próximos US$ 25 milhões e 15% de qualquer quantia acima de US$ 50 milhões. Haverá uma taxa suplementar de 15% de qualquer bônus ganho.

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