Indonésia aumenta nível de alerta para vulcão que provocou tsunami

Cientistas temem que erupção cause nova onda gigante na região; moradores foram retirados

Fumaça e cinzas do vulcão Anak Krakatoa, no estreito de Sunda, na Indonésia
Fumaça e cinzas do vulcão Anak Krakatoa, no estreito de Sunda, na Indonésia - 26.dez.18/AFP
Carita (Indonésia) | AFP

O governo da Indonésia elevou nesta quinta-feira (27) o nível de alerta para o vulcão que provocou um tsunami no estreito de Sunda que deixou centenas de mortos, em meio a avisos de cientistas de que uma nova onda gigante pode ocorrer em breve.

As autoridades aumentaram o nível de alerta do vulcão para "elevado", o segundo grau mais elevado na escala, e proibiram voos comerciais de passarem pela região.  

O governo também ampliou para cinco quilômetros o raio de retirada obrigatória ao redor do vulcão Anak Krakatoa, porque ele segue em atividade. 

Os moradores também receberam ordens para que permaneçam afastados do litoral, após o tsunami que atingiu no sábado (22) à noite as costas do estreito, entre as ilhas de Sumatra e Java. 

De acordo com os cientistas, a catástrofe de sábado foi provocada por uma erupção moderada do Anak Krakatoa, que gerou uma avalanche submarina de parte do vulcão e o deslocamento de grandes massas de água. 

O balanço mais recente da tragédia registra 430 mortos, 1.495 feridos e 159 desaparecidos. 

Nesta quinta-feira, o Anak um dos 127 vulcões ativos da Indonésia, continuava expelindo nuvens de cinzas, o que aumenta o risco para os barcos nas imediações. 

"Há um risco maior de erupção", afirmou o porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Catástrofes, Sutopo Purwo Nugroho. "As pessoas (perto do vulcão) podem ser atingidas por pedras, por fluxos piroclásticos [ejeções violentas de rochas vulcânicas pelo ar] e cinzas espessas", completou.

"Aumentamos o nível de alerta após uma mudança nas características da erupção", declarou à agência AFP um dos diretores do Observatório do Krakatoa, Kus Hendratno. 

Os fluxos piroclásticos não representam um risco imediato para as cidades da região porque o vulcão fica em uma ilha no meio do estreito e afastada dos centros habitados. Mas a mudança no nível de alerta aumentou os temores dos moradores, já assustados com a ideia de retornar para suas casas.

"Rezem por nós para que tudo fique bem", afirmou Sukma, agente de segurança no Mutiara Carita Cottages, onde todos os edifícios foram destruídos.

"Isto me preocupa", declarou Ugi Sugiarti, cozinheiro do hotel Augusta, de Carita, uma das cidades mais afetadas pelo tsunami. 

Sugiarti e outras 22.000 pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas após o tsunami e permanecem em refúgios de emergência. 

As autoridades alertaram que o vento espalha as cinzas e a areia até as localidades de Cilegon e Seran, na ilha de Java, e fizeram um apelo para que os moradores usem máscaras fora de casa.

As chuvas torrenciais provocaram inundações em alguns pontos, o que dificulta os trabalhos das equipes de emergência. Os médicos também advertiram para a falta de medicamentos e de água potável, o que gera o risco de uma crise sanitária.

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