Descrição de chapéu Venezuela

Líder chavista canta 'vitória revolucionária' em eleições na Venezuela

Comparecimento é baixo em votação para vereadores quase sem participação da oposição

Caracas

A jornada eleitoral deste domingo (9) para eleger vereadores em toda a Venezuela começou cedo e com poucas filas.

Logo de início, o homem-forte do regime e presidente do PSUV, Diosdado Cabello, soltou a seguinte mensagem bélica para estimular as pessoas a irem às urnas: “Bom dia compatriotas, aqui vamos a uma nova vitória das forças revolucionárias, há normalidade na instalação das mesas, fiscais e patrulheiros já a postos para a batalha”.

Apesar da mensagem em tom de guerra, nas quatro primeiras horas de votação eram poucas as filas nas regiões do município Libertador, em Caracas, considerado “vermelho”, por ser um dos redutos do eleitorado chavista.

Havia mais funcionários para organizar filas, policiais e membros da Guarda Nacional Bolivariana nos principais centros de votação do que eleitores. No Liceu Andrés Bello, na Candelaria, região central, havia um pouco mais de gente.

“Votar é um direito, e eu não perco uma eleição. É apenas dando mais poder a Maduro que vamos poder enfrentar a guerra econômica”, diz o aposentado Josue Orejuela.

“Guerra econômica” é um termo muito usado pelo governo em seus discursos para responsabilizar as “potências capitalistas” de debilitar a ditadura de Nicolás Maduro.

“Voto porque se Maduro ficar fraco, posso perder minha casa”, diz a vendedora Bety Rodríguez, 52, moradora de um conjunto habitacional construído pela gestão Chávez, em Catia, na região metropolitana de Caracas.

Numa padaria do bairro de Chacao, no lado leste e mais de classe média da cidade, a poucos metros de um centro de votação semivazio, pessoas discutiam.

“Votei porque ficar de braços cruzados dá mais forças a eles, temos que mostrar que ainda estamos resistindo, que há uma oposição, e se não saímos mais às ruas é porque nos matam”, diz Andres Salguero, 42, que ouvia críticas da mulher, Araceli. “Você está sendo usado, está legitimando esse regime”.

Outras famílias que faziam fila para o pão ou estavam nas mesas do lado de fora tomando seu “marrom” (café com leite) diziam não ter votado e ter outros planos para o dia, desde montar a árvore de Natal a assistir o jogo River Plate e Boca Juniors, final da Copa Libertadores que se disputa nesta tarde, em Madri.

Na entrada de cada centro de votação há oficiais da Guarda Nacional Bolivariana e da polícia municipal.

No centro montado numa escola de Baruta, depois do primeiro passo dentro da escola, se vê um sujeito com boné com as cores da Venezuela, sentado numa mesa de plástico. Ele pergunta se o eleitor tem o “carnê da pátria”, documento emitido pelo governo e por meio do qual se distribuem benefícios sociais. Quem não tinha, passava direto às salas de votação, quem tinha, o escaneava. Registrar no “carnê da pátria” que votou pode render ao eleitor um bônus em forma de alimentos ou remédios.

A maior parte dos eleitores deste centro tinha mais de 50 anos. “Ihhh, os jovens se foram faz tempo”, afirma uma senhora que caminhava lentamente até o portão da escola. “Não adianta nada, eu sei, vai ter fraude, mas, se fico em casa de braços cruzados, depois me sinto culpado”, diz Gerardo Osiel, 53, cirurgião de um hospital local.

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