Mais uma criança morre sob custódia de agentes de fronteira dos EUA

Menino guatemalteco de 8 anos é o segundo imigrante a morrer em detenção

Washington | AP

Um menino guatemalteco morreu sob custódia de agentes de fronteira dos Estados Unidos, a segunda criança imigrante a morrer em abrigos de detenção americanos neste mês. Autoridades da imigração americana informaram que o menino, identificado como Felix Gomez Alonso, de 8 anos, morreu no estado de Novo México pouco depois de meia-noite.

Amigos e família carregam o caixão da guatemalteca Jakelin Caal, de 7 anos, que morreu no início do mês sob custódia de agentes de imigração dos Estados Unidos. Ela foi enterrada em seu vilarejo, San Antonio Secortez, na Guatemala, nesta terça-feira (25).
Amigos e família carregam o caixão da guatemalteca Jakelin Caal, de 7 anos, que morreu no início do mês sob custódia de agentes de imigração dos Estados Unidos. Ela foi enterrada em seu vilarejo, San Antonio Secortez, na Guatemala, nesta terça-feira (25). - Carlos Barria/REUTERS

O cônsul da Guatemala em Phoenix, Oscar Padilla, falou por telefone nesta terça-feira (25) com o pai do menino, Agustin Gomez, de 47 anos. Segundo o cônsul, Gomez afirmou que os dois estavam viajando da Guatemala rumo ao estado de Tennessee, e que o filho estava com "saúde perfeita". 

Já a Agência de Alfândega e Proteção da Fronteira disse que o menino mostrava sinais de “estar doente” na segunda-feira (24) e foi levado, junto com o pai, para um hospital em Alamogordo. Lá, teve o diagnóstico de febre e resfriado, recebeu uma receita para o antibiótico amoxicilina e o analgésico ibuprofeno, e foi liberado após ficar 90 minutos em observação, ainda segundo a agência.

Mas o menino foi levado de volta para o hospital no mesmo dia com náuseas e vômitos e morreu algumas horas depois. A agência afirmou que a causa da morte ainda não foi determinada e que relatou o óbito ao governo da Guatemala. 

Alamogordo fica a cerca de 145 quilômetros de El Paso, na fronteira entre México e Estados Unidos.

No dia 13 de dezembro, autoridades haviam anunciado a morte da guatemalteca Jakelin Caal, 7, sob a custódia da Patrulha da Fronteira dos EUA. Jakelin morreu em um hospital de El Paso, Texas, depois de ter sido detida com seu pai e outras pessoas que cruzavam a fronteira com o México, em 6 de dezembro.

Segundo as autoridades americanas, Jakelin teve desidratação e choque horas depois de ter sido colocada sob custódia da Patrulha de Fronteira, após ter passado vários dias sem comer ou beber nada.

A família nega que que a menina tenha passado dias sem alimentação ou água —tipo de privação ao qual os migrantes que tentam atravessar a fronteira a pé acabam se submetendo. 

Um relator da área de direitos humanos da ONU pediu na segunda-feira aos EUA que investiguem a fundo a morte da menina.

"As autoridades americanas devem assegurar uma investigação exaustiva e independente da morte de  Jakelin Amei Caal", disse o relator especial da ONU sobre os direitos humanos dos migrantes, Felipe González Morales. O corpo de Jakelin foi mandado para seu vilarejo na Guatemala no mesmo dia em que seu pequeno compatriota morreu.

A Agência de Controle da Fronteira afirmou que fará “uma investigação independente e abrangente das circunstâncias” da morte do menino guatemalteco. A agência ainda não revelou quando o menino e o pai haviam entrado nos EUA e quanto tempo passaram detidos, tampouco o nome da criança.

Desde que o presidente Donald Trump enrijeceu a política de policiamento das fronteiras, no início do ano, os centros de detenção americanos passaram a  abrigar milhares de crianças migrantes separadas dos pais, provocando uma reação mundial. Desde que Trump assumiu, em janeiro de 2017, o número saltou da casa dos 2.700 para mais de 14 mil, segundo apuração da agência de notícias Associated Press.

As medidas, porém, não inibiram significativa a vinda de imigrantes sem autorização para o país. No mês passado, uma caravana com mais de 10 mil migrantes que atravessou a América Central e o México chegou à fronteira para pressionar a entrada.

Congressistas democratas e ativistas haviam criticado a atuação da agência no caso de Jakelin, afirmando que a morte poderia ter sido evitada se a menina tivesse sido transportada de helicóptero antes.

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