May e Corbyn protagonizam discussão acalorada no Parlamento britânico

Os dois líderes elevaram o tom de voz durante o debate sobre o acordo do 'brexit'

A primeira-ministra britânica Theresa May durante o debate com o líder da oposição, Jeremy Corbyn, no Parlamento
A primeira-ministra britânica Theresa May durante o debate com o líder da oposição, Jeremy Corbyn, no Parlamento - Divulgação/AFP
Londres e São Paulo | Reuters e Associated Press

A primeira-ministra britânica, Theresa May, e o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, protagonizaram um debate acalorado no Parlamento nesta quarta-feira (12), tendo como pano de fundo a discussão sobre a saída do país da União Europeia.

A troca de acusações foi acompanhada por gritos de apoio e risadas de deboche pelos parlamentares e o presidente da Casa, John Bercow, chegou a interromper a discussão para pedir que os dois pudessem falar sem serem interrompidos. 

Sessões de debate nos quais a primeira-ministra é questionada são comuns no Reino Unido e May e Corbyn costumam ter enfrentamentos, mas a discussões como a desta quarta, em que os dois elevaram o tom de voz, são raras. 

O debate ocorreu no mesmo dia em que May terá que enfrentar um voto de desconfiança interno dentro do Partido Conservador que pode obrigá-la a deixar o cargo, mas o assunto acabou sendo tratado de modo secundário —o tema principal foi o "brexit"

O líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn, durante o debate com Theresa May no Parlamento
O líder dos trabalhistas, Jeremy Corbyn, durante o debate com Theresa May no Parlamento - Divulgação/Associated Press

May fechou em novembro um acordo com a União Europeia para a saída do país do bloco e ele deveria ser votado pelo Parlamento nesta terça (11). Na véspera, porém, o governo decidiu adiar a votação porque a proposta seria derrotada.

Em vez disso, a primeira-ministra se reuniu com líderes europeus para debater mudanças no acordo. 

A decisão irritou Corbyn e os trabalhistas, que acusam May de impedir que o Parlamento se manifeste sobre o assunto.  

Uma derrota do governo iria enfraquecer a primeira-ministra, aumentando a chance de que ela deixe o cargo. Corbyn defende que uma nova eleição seja convocada para resolver o impasse —na qual ele apareceria como um dos favoritos. 

Nesta quarta, ele pediu que ela colocasse o assunto de volta na pauta.

"Já que a primeira-ministra não conseguiu nenhuma mudança nem no acordo de retirada nem em uma parceria futura [com a UE], ela agora pode confirmar que nós vamos concluir o debate e votar nos próximos sete dias, antes que a Casa entre no recesso de Natal?", questionou o líder da oposição.

May, porém, negou o pedido e afirmou que a votação vai ocorrer no futuro, mas que ainda não há data, o que irritou Corbyn. 

"O tempo para hesitações e atrasos acabou. A primeira-ministra negociou seu acordo, nos disse que é o melhor e único acordo possível. Não se pode continuar a dar desculpas, a fugir. Coloque isso ante ao Parlamento e vamos votar", disse ele. 

A primeira-ministra respondeu afirmando que o objetivo da oposição é impedir que a saída da União Europeia aconteça. 

"Todos nós sabemos um grupo de pessoas que não querem encontrar uma solução construtiva —a liderança do Partido Trabalhista. E é isso que vemos do outro lado da sala: nenhum plano, nenhuma ideia, nenhum 'brexit'".

A falta de acordo no Parlamento e o voto de desconfiança contra May receberam críticas de entidades que representam empresários no país. 

Adam Marshall, diretor-geral das Câmaras Britânicas de Comércio, disse que os políticos devem entender que suas ações ameaçam os negócios.

"Em um dos momentos mais cruciais para a economia do Reino Unido em décadas, é inaceitável que os políticos de Westminster [sede do Parlamento] tenham escolhido pensar neles mesmos e não nas necessidades do país", disse ele.

Já o presidente da Federação de Pequenas Empresas, Mike Cherry, disse que a atual turbulência "virou um fardo" para os empresários.

Apesar disso, os mercados voltaram a subir nesta quarta após alguns dias de queda devido ao "brexit". A libra, que atingiu seu menor valor em 20 meses após o anúncio do voto de desconfiança, se recuperou e subiu 0,8%, para US$ 1,26. 

 
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