Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Netanyahu terá encontro com Bolsonaro no Brasil antes da posse

Premiê israelense deve ser recebido pelo presidente eleito no dia 28 de dezembro

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, chega para reunião de seu gabinete em Jerusalém - Abir Sultan - 16.dez.2018/Associated Press
Igor Gielow
São Paulo

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, irá se encontrar no Rio com Jair Bolsonaro antes da posse do presidente eleito.

A reunião deve ocorrer na casa de Bolsonaro no dia 28, quando Bibi, como o premiê é conhecido, chega ao Brasil para uma visita de cinco dias.

Ele ficará na capital fluminense, e voará a Brasília para a posse no dia 1º de janeiro, antes de voltar a Israel.

A data do encontro foi adiantada pela TV estatal israelense Kan 11.

A aproximação do chefe de governo israelense com o Brasil é inédita. Historicamente, o Brasil defende uma posição de neutralidade nos conflitos do Oriente Médio, muitas vezes com inclinação em favor dos países árabes nas disputas com o Estado judeu.

Isso se reforçou nos governos do PT, quando o país reconheceu a Palestina como um Estado —há embaixadas tanto em Brasília quanto em Ramallah, na Cisjordânia.

Bolsonaro promete mudar isso. Já disse que não reconheceria a Palestina e, principalmente, defendeu a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, reconhecendo a cidade sagrada como capital de Israel.

Com isso, imita seu ícone, o americano Donald Trump, causando contrariedade entre países muçulmanos.

A Liga Árabe já se manifestou contra a intenção de Bolsonaro, por exemplo.

A ONU recomenda, em resolução do Conselho de Segurança acatada pelo Brasil até aqui, que não se reconheça Jerusalém como capital israelense até que haja uma solução com dois Estados na região —presumindo-se, aqui, que a metade oriental da cidade será a sede do governo palestino.

Alguns países, como a Rússia, adotam uma solução salomônica. Reconhecem Jerusalém Ocidental como capital israelense, mas esperam que a Palestina se estabeleça para mover sua embaixada.

Fachada da embaixada brasileira em Tel Aviv - Jack Guez - 28.out.2018/AFP

O problema adicional para o Brasil, como a Folha mostrou antes da eleição, é que boa parte de sua produção de carne de frango e bovinos é feita sob as especificações islâmicas, o chamado halal.

Há o temor na agroindústria nacional que um apoio explícito a Israel feche mercados, hoje responsáveis por quase metade das exportações desses itens.

Bibi dá demonstrações seguidas de apreço por Bolsonaro. Na segunda, segundo o jornal The Jerusalem Post, ele disse que o Brasil está “à beira de uma revolução” nas suas relações com Israel.

É a primeira vez que um premiê israelense vem ao país —e a segunda à América Latina, visitada pelo próprio Bibi em 2017, que dispensou o Brasil por considerar o governo hostil ao seu.

A inclinação de Bolsonaro por Israel decorre de sua proximidade dos evangélicos brasileiros, que apoiam o Estado judeu porque o consideram uma “verdade bíblica” —termo usado pelo eleito.

Alguns setores religiosos, emulando fundamentalistas americanos, também vêm Israel estabelecido como precondição para a volta de Jesus Cristo à Terra.

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