ONU acerta cessar-fogo entre rebeldes e forças do governo em cidade portuária do Iêmen

Guerra civil se arrasta desde 2014 e deixou milhares de mortos no país

Militante dos rebeldes houthi segura metralhadora montado em um carro de patrulha em uma rua de Hodeida - Abduljabbar Zeyad-10.dez.2018/Reuters
Rimbo (Suécia) | Reuters e AFP

Os dois lados da guerra civil que mergulhou o Iêmen em uma grave crise de fome acertaram nesta quinta-feira (13) um cessar-fogo que valerá para a cidade portuária de Hodeida.

Tanto os rebeldes houthis quanto as forças do governo federal, apoiadas pela Arábia Saudita e pelos Estados Unidos, vão se retirar da região, que ficará sob o controle das forças locais.

Hodeida é o porto de entrada de cerca de 70% da comida e ajuda humanitária que chegam ao Iêmen. Os recentes conflitos na cidade causaram uma queda no volume de importação comercial no porto de mais de 55 mil toneladas métricas por mês, segundo a organização humanitária internacional Save the Children, dificultando os esforços de combate à epidemia de fome que atinge 20 milhões de pessoas no país.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, que mediou as conversas de paz, disse que uma estrutura política para as negociações será discutida em outra rodada de diálogo entre o governo do Iêmen e os houthis.

“Chegamos a um acordo sobre o porto e a cidade de Hodeida. Veremos uma remobilização neutra de forças no porto e na cidade e o estabelecimento de um cessar-fogo em toda a província”, disse Guterres durante coletiva de imprensa em Rimbo, na Suécia, onde as conversas foram realizadas. 

Os houthis controlam a maior parte dos centros populacionais do Iêmen, incluindo a capital, Sanaa, onde depuseram o governo de Abd-Rabbu Mansour Hadi em 2014. Atualmente, a sede do governo está localizada na cidade portuária de Aden, ao sul do país.

A coalizão liderada pela Arábia Saudita interveio na guerra em 2015, para restaurar o governo de Hadi e acabar com o movimento dos houthis, apoiados pelo Irã.

O enviado da ONU, Martin Griffiths, disse que as duas partes vão se retirar "dentro de dias" do porto e, mais tarde, da cidade de Hodeida, onde tropas da coalizão se aglomeraram nos arredores. As forças houthi também se retirariam do porto de Salif, usado para grãos, e Ras Isa, usado para petróleo.

Um comitê de coordenação de reimplantação, incluindo representantes dos dois lados, supervisionará o cessar-fogo, de acordo com o documento assinado nesta quinta. Os dois lados têm 21 dias para a retirada das tropas.

Outro comitê conjunto supervisionado pelas Nações Unidas criará corredores humanitários até Taiz, a terceira maior cidade do Iêmen.

"A Arábia Saudita tomou uma posição mais firme com o governo Hadi, que por sua vez foi mais cooperativo". disse Elizabeth Dickinson, analista sênior da Península Arábica no International Crisis Group.

"O grande jogo é o estrutura política, o que abriria o caminho para negociações reais de paz.

O embaixador da Arabia Saudita nos EUA afirmou em comunicado que apoia fortemente o acordo, que "ajudará a devolver a segurança à região", incluindo o mar Vermelho, importante rota de comércio marítimo internacional.

"É um passo importante para aliviar a crise humanitária e alcançar uma solução política", disse Jaled bin Salmán.

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