Descrição de chapéu Coreia do Norte

Pais pedem US$ 1,1 bi por morte de estudante preso na Coreia do Norte

Processo corre na Justiça dos EUA; norte-coreanos, que negam maus-tratos, não se manifestaram

São Paulo

Os pais do estudante americano Otto Warmbier, que morreu após ter sido preso na Coreia do Norte, pediram indenização de US$ 1,1 bilhão (cerca de R$ 4 bilhões pela cotação desta terça, 18) do governo de Kim Jong-un.

jovem de terno claro com dois soldados uniformizados, um de cada lado segurando seus braços
Otto Warmbier, escoltando por guardas no momento de sua prisão, em imagem divulgada em março de 2016 - Reuters

A informação foi divulgada por jornais sul-coreanos e pela rádio americana Voice of America.

Além da reparação de danos (US$ 350 para cada um dos pais e pela morte de Otto), eles pedem US$ 15 milhões para cada um pelo sofrimento infligido cada vez que viram a imagem do filho na TV norte-coreana e pela dor da decisão de desligar os aparelhos que o mantinham vivo, em coma.

Segundo a rádio, o valor é baseado em indenização pedida em caso semelhante de um missionário morto em prisão norte-coreana em 2001, supostamente após tortura. Houve condenação pela Justiça americana, mas nada foi pago pela Coreia do Norte.

O processo por violação de lei internacional corre em tribunal federal em Washington, capital americana, e a primeira audiência dos pais de Otto será nesta quarta (19). O acusado é o ministro das Relações Exteriores norte-coreano, Ri Yong-ho.

Iniciada em abril, a ação acusa a Coreia do Norte de “prisão ilegal, tortura e assassinato para obter concessões do governo norte-americano”.

A Coreia do Norte não tomou nenhuma ação em relação ao caso, nem mandou representante para as audiências preliminares, na última sexta (14).

Homem com terno escuro e gravata estampada com a bandeira americana e mulher vestida de preto olham para a frente, com outras pessoas atrás
Fred and Cindy Warmbier, pais do estudante Otto, assistem ao enterro do filho em Wyoming, Ohio - Bryan Woolston - 22.jun.2017/Associated Press

Otto Warmbier morreu em 2017, aos 22 anos, após ter sido preso na Coreia do Norte em 2016, acusado de furto —ele teria tentado pegar para si um pôster de propaganda do regime comunista de Kim Jong-un que estampava a imagem do ex-ditador norte-coreano, Kim Jong-il.

O estudante foi posteriormente condenado por um tribunal de Pyongyang a 15 anos de prisão e a realizar trabalho forçado no cárcere.

Um mês após a sentença que o condenou por “atividades hostis” ao regime, o estudante sofreu graves danos neurológicos cujas causas nunca foram esclarecidas.

Em junho de 2017, 17 meses após a prisão, a Coreia do Norte divulgou que ele estava há meses em coma, causada por botulismo e reações de um remédio para dormir.

No mesmo mês, Warmbier foi libertado e, ainda em coma, levado aos Estados Unidos.

No Centro Médico da Universidade de Cincinnati, os médicos não encontraram evidências de botulismo nem conseguiram determinar o que causou os problemas de saúde.

Os médicos americanos também não conseguiram provar as acusações de que ele teria sido torturado durante o período em que ficou preso.

O regime de Kim Jong-un sempre negou as acusações de maus-tratos.

Otto Warmbier morreu em 19 de junho de 2017, seis dias depois de voltar aos EUA.

Na segunda (17), pelo 14º ano consecutivo, as Nações Unidas condenaram a Coreia do Norte por violação de direitos humanos.

O documento expressa “preocupações profundas pela grave situação de desrespeito aos direitos humanos, cultura pervasiva de impunidade e falta de transparência”.

A resolução elogia esforços diplomáticos recentes de diálogo com outros países e estimula iniciativas para conter os problemas humanitários na Coreia do Norte.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.