Papa diz que está preocupado com a homossexualidade no sacerdócio

Afirmação é citada em livro com entrevista que pontífice deu sobre a vocação religiosa

Vaticano

O papa Francisco foi citado em um livro prestes a ser lançado dizendo que a presença de gays no clero “é algo que me preocupa” e comentando que algumas sociedades estão considerando a homossexualidade como um estilo de vida “na moda”.

Com vestes brancas e usando uma cruz, papa Francisco faz um aceno com o braço
O papa Francisco recebe um grupo de voluntários da Sardenha - Max Rossi/Reuters

O site do jornal italiano Corriere della Sera publicou, neste domingo (2), trechos do livro em forma de uma entrevista que Francisco deu sobre a vocação religiosa. 

Francisco foi citado descrevendo a homossexualidade dentro de seminários, conventos e outros recintos religiosos  como uma “uma questão muito séria”.

“Em nossas sociedades, parece que a homossexualidade entrou na moda. E essa mentalidade, de uma certa forma, também influencia a vida da igreja”, disse Francisco ao entrevistador Fernando Prado, um padre missionário nascido na Espanha. 

Chamado “A Força da Vocação”, o livro, baseado em quatro horas de conversas que os dois tiveram em agosto no Vaticano, será publicado em dez idiomas na próxima semana.

Francisco reiterou pronunciamentos anteriores sobre a atenção que deve ser dada ao selecionar homens para admissão em seminários, dizendo que “nós devemos cuidar muito da maturidade humana e sentimental” ao treinar futuros padres.

Ao mesmo tempo, a agência italiana ANSA citou uma situação do livro em que Francisco comenta sobre um clérigo que lhe disse que ter gays em moradias religiosas católicas “não é tão grave” porque é “apenas uma expressão de afeto”.

Esse pensamento “é um erro”, diz Francisco. “Na vida consagrada e na vida sacerdotal, não há lugar para esse tipo de afeto”.

Ele disse que candidatos com “neuroses ou fortes desequilíbrios” não deveriam ser aceitos “no sacerdócio nem a [outras formas de] vida consagrada”.

Porém o papa, assim como em momentos anteriores, ressaltou que gays católicos contribuem para a vida da igreja.

Ele disse que a igreja deve sempre lembrar que “eles são pessoas que irão viver em serviço da igreja, da comunidade cristã, das pessoas de Deus. Nunca vamos esquecer essa perspectiva”.

Associated Press
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