Presidente russo promete apoio a Maduro e critica ações 'de caráter terrorista' contra o país

Ditador venezuelano foi a Moscou pedir ajuda financeira para conter grave crise

Ditador venezuelano, Nicolás Maduro (esq.), cumprimenta o presidente russo, Vladimir Putin, na residência oficial em Novo Ogaryovo, em Moscou - Maxim Shemetov/Reuters
Moscou

O presidente russo, Vladimir Putin, ofereceu nesta quarta-feira (5) apoio ao ditador venezuelano, Nicolás Maduro, que está em viagem oficial ao país asiático para pedir ajuda financeira russa para enfrentar a grave crise econômica no seu país. 

"Apoiamos seus esforços para conseguir a paz social e todas suas ações visando a harmonizar as relações com a oposição", afirmou Putin no começo de seu encontro com Maduro, na residência oficial de Novo Ogarevo, perto Moscou. 

"E, naturalmente, condenamos todas as ações de caráter evidentemente terrorista, todas as tentativas de derrubar a situação com ajuda da força."

Maduro culpa as sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos a Caracas desde 2014 e uma "guerra econômica" liderada por adversários políticos pela crise do país. Desde 2015, cerca de três milhões de pessoas já fugiram da situação crítica em que está a Venezuela, segundo dados da ONU. A maior parte se mudou para países da América Latina, com a Colômbia como principal destino, recebendo mais de 1 milhão de pessoas. Equador, Peru e Brasil também estão entre os que mais receberam os refugiados.

"Tenho certeza de que boas notícias sairão desta reunião sobre o aumento da cooperação e do trabalho econômico entre os dois países", disse Maduro, dirigindo-se a seu colega russo. "Acredito que descobrimos o ponto para avançar, ativamos um programa bastante completo, integral, que pode ser perfeitamente integrado à visão econômica da cooperação Rússia-Venezuela."

Maduro, herdeiro político de Hugo Chávez (1999-2013), afirmou ainda em Moscou que, apesar de ter sido "submetido a todos os tipos de agressões, ameaças [...] estamos de pé e ganhando".

Pouco antes do encontro entre os dois líderes, o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, disse que as discussões se concentrarão na ajuda que as autoridades venezuelanas precisam.

Ele não deu detalhes sobre a quantia que a Rússia pode vir a emprestar ao seu aliado latino-americano. Segundo ele, a situação econômica venezuelana continua complicada, embora haja sinais de melhora.

A Rússia é um importante aliado político da Venezuela. A maior companhia petrolífera russa, Rosneft, tem grandes investimentos nos campos de exploração venezuelanos, que produzem cada vez menos diante da crise que devasta o país.

O CEO da Rosneft, Igor Sechin, visitou recentemente Caracas e pressionou o governo Maduro a manter as promessas de entrega de petróleo que fez à Rússia.

"Quando as pessoas perceberem que Maduro não pode cumprir o que prometeu, elas podem perder o interesse em apoiá-lo", disse Eric Farnsworth, do Conselho das Américas e Sociedade das Américas, um centro de estudos de Washington. "Acho que é isso que ele teme mais que tudo."

Críticos atribuem às duas décadas de regime socialista, corrupção e má administração a destruição da indústria petrolífera da Venezuela, pilar da economia do país. Mesmo com a queda da extração do petróleo cru, a Venezuela tem que manter as entregas prometidas a Rússia, Cuba e China como pagamento de dívidas e para não afetar laçõs com importantes aliados.

A profunda crise econômica que atravessa a Venezuela se reflete na escassez de alimentos e remédios e em uma inflação que, segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional), chegará a 1.350.000% neste ano e 10.000.000% em 2019.

A ONU anunciou nesta terça-feira (4) que precisa de US$ 738 milhões (R$ 2,8 bilhões) para ajudar os países sul-americanos a lidarem com o fluxo de milhões de imigrantes e refugiados da Venezuela em 2019, já que não há perspectiva de retorno no no médio prazo. A organização fez um pequeno apelo de emergência na semana passada, oferecendo US$ 9,2 milhões (R$ 35,34 milhões) para projetos dentro da Venezuela.

Na segunda-feira, Maduro anunciou que estava viajando a Moscou para "uma visita de trabalho necessária" que permitirá "fechar o ano de 2018 com chave de ouro quanto às relações estratégicas que a Venezuela constrói com o mundo". 
 

AFP e Associated Press
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