Rebeldes e governo chegam a acordo para troca de prisioneiros no Iêmen

Decisão é o primeiro resultado concreto das conversas de paz realizadas na Suécia

RA ministra de Relações Exteriores da Suécia, Margot Wallstrom, e o enviado da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths, dão entrevista coletiva antes do início das conversas
A ministra de Relações Exteriores da Suécia, Margot Wallstrom, e o enviado da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths, dão entrevista coletiva antes do início das conversas - Stina Stjernkvist /TT News Agency/Reuters
Estocolmo e Rimbo (Suécia)


Os dois lados que participam da guerra civil no Iêmen concordaram nesta quinta-feira (6) em realizar uma troca de prisioneiros, no primeiro avanço concreto das conversas para um acordo de paz realizadas na Suécia. 

"Estou feliz em anunciar a assinatura de um acordo para a troca de prisioneiros", disse o enviado da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths, logo no início da negociação. Segundo ele, com a decisão milhares de famílias vão poder se reunir. 

A Cruz Vermelha, que será a responsável por fazer a coordenação da troca, disse que ao menos 5.000 pessoas devem ser liberadas com o acordo e que o processo deve durar algumas semanas.  

O representante da ONU e a ministra de Relações Exteriores da Suécia, Margot Wallstrom, são os responsáveis por mediar o diálogo entre o governo iemenita —apoiado pela coalizão liderada pela Arábia Saudita— e os rebeldes houthi, apoiados pelo Irã.

"Agora dependem de vocês, os partidos iemenitas. Vocês têm o controle do seu futuro", disse o chanceler sueco no início das conversas nesta quinta.

Um castelo na cidade de Rimbo, ao norte de Estocolmo, foi o local escolhido para sediar o diálogo. Esta é a primeira vez desde 2016 que os dois lados do conflito enviam representantes para a negociação, aumentando assim a possibilidade de algum tipo de acordo —na rodada anterior, na Suíça, os houthi se recusaram a participar.  

Griffiths afirmou que falou por telefone com representantes dos dois lados nas últimas semanas e que ambos expressaram a esperança de uma diminuição do nível de violência no país. 

Milhares de pessoas já morreram no conflito desde 2015, que deixou cerca de 14 milhões de pessoas sob risco de passar fome. A ONU já classificou a situação no país como a maior crise humanitária da atualidade. 

A pressão por uma resolução aumentou após o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, morto no consulado saudita em Istambul.

O caso fez diminuir o apoio ao príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, principal idealizador e defensor do apoio de Riad ao governo iemenita.

Bin Salman também é suspeito de ter ordenado a morte do jornalista, um antigo crítico seu.

Apesar dos apoios de países da região, nenhum dos lados consegue avançar e a conflito segue em um impasse.

Os houthis conquistaram em 2014 o controle da capital, Sanaa, e a maior parte das áreas mais populosas do país. Com isso, o governo oficial, que segue sendo reconhecido pela maior parte da comunidade internacional, se deslocou para a cidade de Aden, no sul e, com o apoio saudita, decidiu lançar uma ofensiva para retomar o território. 

Griffiths, da ONU, disse que a retomada do diálogo é um marco e disse que vai buscar um acordo que envolva a reabertura do aeroporto de Sanaa, o respeito ao Banco Central e a implementação de um cessar-fogo em Hodeidah, o principal porto do país. O local está sob poder dos houthis, mas a coalizão do governo lançou uma campanha para retomá-lo.

Um acordo que envolva este três pontos poderia ainda ser ampliado para incluir o fim dos ataques aéreos realizados pela coalizão, que já mataram milhares de civis, e dos lançamentos de misseis dos houthis contra cidades sauditas.

Uma fonte da ONU disse à agência Reuters que os dois lados ainda estavam longe de concordar com as três questões, especialmente sobre quem deveria administrar o porto de Hodeidah e se os houthis deveriam abandonar inteiramente a cidade. 

As Nações Unidas estão tentando evitar um ataque em larga escala ao local, o ponto de entrada para a maioria dos bens e ajuda comercial do Iêmen. 

A outra rota principal dentro e fora do território houthi é o aeroporto de Sanaa, mas o acesso é restrito pela coalizão liderada pela Arábia Saudita que controla o espaço aéreo.

O chefe do Supremo Comitê Revolucionário dos Houthis, Mohammed Ali al-Houthi, disse nas redes sociais que se nenhum acordo for fechado para reabrir o aeroporto, seu grupo irá bloquear todos os acessos ao local, incluindo veículos da ONU e de ajuda humanitária.  

Reuters e Associated Press
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