Descrição de chapéu Governo Trump

Trump antecipa para 1/1 saída de secretário da Defesa e dá cargo a adjunto

Jim Mattis, crítico à saída da Síria, ficaria até março; interino, Shanahan vem da Boeing

São Paulo | Associated Press

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou neste domingo (23) que a saída de seu atual secretário da Defesa, Jim Mattis, será antecipada para 1º de janeiro, e que o secretário-adjunto, Patrick Shanahan, 64, será seu substituto interinamente. 

A medida é anunciada três dias depois de Mattis comunicar sua aposentadoria em protesto contra a decisão de Trump de retirar todos os soldados americanos da Síria, o que ele expressou em uma carta   veemente que circulou por Washington e irritou o governo. A ideia original, porém, era que o general permanecesse no cargo até o fim de fevereiro para organizar a transição. 

De braços cruzados, Trump fala em reunião, sentado diante de uma mesa, tendo Shanahan ao seu lado direito ouvindo-o atentamente
Donald Trump participa de reunião com o então secretário-adjunto da Defesa, Patrick Shanahan (à dir.), que a partir de janeiro ocupará o posto titular em substituição a Jim Mattis - Nicholas Kamm-18.jul.17/AFP

Shanahan foi executivo da Boeing, empresa em que trabalhou de 1986 até assumir o posto de adjunto da Defesa no início do governo Trump e onde forjou uma reputação de "consertador" de problemas.

"O secretário-adjunto continua a servir [o país] como determinar o presidente, e o Departamento da Defesa permanecerá concentrado em defender a nação", disse seu porta-voz neste domingo.

A saída de Mattis, embora anunciada após a decisão de os EUA se retirarem da Guerra na Síria —conflito que se estende desde 2011— é o ápice de um histórico de atritos e desentendimentos entre o secretário e o presidente.

Críticos da gestão Trump atribuem ao general dos Fuzileiros Navais a dose de pragmatismo presente nas principais decisões do governo na Defesa e o trabalho de persuadir o presidente a não tomar medidas intempestivas —como uma ação militar na Venezuela, que ele chegou a aventar.

Outros desentendimentos incluem a presença americana na Otan, aliança militar formada com países da Europa Ocidental nos anos de Guerra Fria e que até hoje serve para conter de eventuais avanços russos a conflitos no Oriente Médio, mas que Trump desdenha, e a errática estratégia americana na Ásia, criando hostilidade com a China e aproximando-se da Coreia do Norte.

"O presidente e seu chefe da Defesa nunca estão alinhados" a respeito da Síria, disse Mike Mulvaney, o novo chefe de gabinete de Trump, em um programa de entrevistas na rede ABC.

A decisão de Trump acerca da Síria, entretanto, foi criticada mesmo por correligionários. Em carta organizada pelo líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, os integrantes da comissão de relações exteriores da Casa pedem que o presidente reconsidere sua decisão.

"Acreditamos que uma ação deste calibre neste momento é prematura e constitui um erro caro que não só ameaça a segurança dos EUA como fortalece a facção Estado Islâmico, o governo do sírio Bashar al Assad, o Irã e a Rússia", diz a carta, que pede uma moratória de 90 dias para a retirada, aludindo às principais partes envolvidas no conflito que já deixou quase meio milhão de mortos e detonou a pior crise de refugiados desde a Segunda Guerra (1939-45).

No sábado (22),  Brett McGurk, enviado americano para a coalizão de combate ao Estado Islâmico, renunciou também por causa da decisão sobre a Síria.

Trump, contudo, parece impassível. Após anunciar o posto para Shanahan, ele disse ter tido uma "conversa longa e produtiva" com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, com quem discutiu o envolvimento na Síria e a retirada coordenada. 

A saída de Mattis se soma à longa lista de demissões e defecções no mercurial governo do republicano, que analistas classificam como o de mais alta rotatividade na história recente dos EUA.

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