Trump tem nova baixa no governo com a saída de seu Secretário do Interior

Alvo de investigação por gastos, Ryan Zinke deixará o cargo no fim do ano

Washington | Reuters e Associated Press

O secretário de Interior dos Estados Unidos, Ryan Zinke, deixará o cargo no fim do mês, anunciou o presidente Donald Trump neste sábado (15).

Zinke é a mais recente baixa do governo Trump, que no momento sofre para encontrar um novo chefe de gabinete.  

“Ryan conquistou muito em sua passagem e quero agradecê-lo por seu serviço a nossa nação”, disse Trump em seu perfil no Twitter. “O governo Trump anunciará o novo secretário de Interior na próxima semana.”

O presidente não explicou a razão para a saída de Zinke.

Secretário do Interior dos EUA, Ryan Zinke, renunciou ao cargo na mais recente baixa do governo Donald Trump - Cliff Owen-11.dez.2018/Associated Press

Já o secretário afirmou em sua carta de demissão, obtida pela agência de notícias Associated Press, que os ataques "viciosos e motivados politicamente" contra ele "criaram uma infeliz distração" no cumprimento da sua missão.

Zinke, ex-fuzileiro-naval e ex-congressista de Montana, é alvo de questionamentos sobre o uso de seu aparato de segurança, a contratação com verba federal de voos fretados para fins pessoais e possíveis conflitos de interesse no exercício do cargo.

Ele chegou a se defender diante de audiência no Capitólio em março pelo uso de aviões fretados em várias viagens que não teriam relação com o cargo, entre elas a Montana, ao Alasca e às Ilhas Virgens americanas. Ele descreveu o questionamento de suas viagens como “insinuações” e disse que seu predecessor no departamento também fez viagens pagas pelos contribuintes.

O futuro ex-secretário também é investigado por deixar sua mulher, Lola, andar em veículos governamentais com ele, o que é proibido por lei, e por gastar mais de US$ 25 mil para a segurança do casal durante uma viagem a Turquia e Grécia.

Na carta datada deste sábado, o secretário diz que as acusações são mentirosas e que, para alguns, a verdade já não importa mais. 

À frente da secretaria, Zinke trabalhou em prol da agenda de Trump de promover a exploração de petróleo e a mineração de carvão, expandindo as concessões federais, cortando taxas de royalty e reduzindo as proteções sobre o solo.

Ele reduziu enormes áreas de proteção natural no estado de Utah a uma fração de seu tamanho original e propôs exploração de petróleo no Ártico, Pacífico e Atlântico. Virou figura querida da indústria de energia e mineração e alvo preferencial de grupos de proteção ao meio ambiente.

Chamou a atenção já em seu primeiro dia no trabalho, quando montou um cavalo para atravessar o National Mall de Washington até o Departamento do Interior.

A Casa Branca concluiu nas últimas semanas que Zinke era o membro do gabinete mais vulnerável a investigações lideradas pelos democratas, que no próximo ano voltam a ter a maioria da Câmara dos Deputados, disse uma fonte do governo à Associated Press.

Seu mandato foi prolongado temporariamente para ajudar na resposta ao incêndio florestal que devastou a Califórnia no mês passado e em meio às especulações sobre o futuro do agora ex-chefe de gabinete John Kelly. Agora, pressionado a renunciar, ele faz sua última aparição pública na festa de Natal de seu Departamento do Interior na noite desta quinta-feira (20).

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