Descrição de chapéu The Washington Post

Adolescente é localizada três meses depois do assassinato dos pais nos EUA

Jayme Closs, 13, havia desaparecido no mesmo dia em que sua família foi achada morta em casa

Jayme Closs, 13, que estava desaparecida desde outubro nos EUA
Jayme Closs, 13, que estava desaparecida desde outubro nos EUA - Xerife do condado de Barron/AFP
Isaac Stanley-Becker Lindsey Bever
The Washington Post

Em uma região de bosques no noroeste do estado do Wisconsin, uma menina franzina, com o cabelo sujo e calçados grandes demais para seus pés, apareceu, no final da tarde de quinta-feira (10), à porta de Kristin Kasinskas, professora em uma escola próxima.

A jovem estava em companhia de um vizinho de Kasinskas, que disse: "Esta é Jayme Closs! Ligue para a polícia".

E dessa maneira, noticiou o jornal Minneapolis Star Tribune, uma caçada humana iniciada meses atrás chegou a um final dramático. Um suspeito de envolvimento no caso foi detido.

A menina de 13 anos estava desaparecida há três meses, desde que seus pais foram encontrados mortos, em outubro.

Ela conseguiu fugir do homem que a capturou e pediu ajuda a uma mulher que estava passeando com o cachorro a leste de Gordon, Wisconsin, cidadezinha cerca de 105 km ao norte da casa da família Closs, em Barron, no mesmo estado.

O vizinho, cujo nome não foi revelado, disse ao jornal que pensou ter reconhecido a menina, cuja foto foi divulgada em todo o estado. Quando Jayme lhe disse seu nome, eles correram à casa mais próxima para pedir ajuda.

A adolescente passou 20 minutos dentro da casa de Kasinskas, e recusou comida e água. Brincou com a cachorrinha da professora, Penny, e disse aos moradores de Gordon que não sabia onde estava, ou qualquer coisa sobre a cidade.

As autoridades anunciaram na noite da quinta-feira que Jayme havia sido localizada, informando que ela tinha sido encontrada às 16h43min, em Gordon, e que um suspeito havia sido detido cerca de dez minutos mais tarde.

"Prometemos que levaríamos Jayme para casa, e esta noite a promessa foi cumprida", disse Chris Fitzgerald, xerife do condado de Barron, em um post no Facebook. "Do fundo do meu coração, MUITO OBRIGADO!".

O suspeito é o morador de Gordon e desempregado Jake Patterson, 21. A polícia disse que ele será denunciado por sequestro e homicídio e que o prendeu após ele ser parado por uma blitz —os agentes o identificaram a partir da descrição dada por Jayme.  

Jen Smith, tia de Jayme, disse ao programa Good Morning America, da rede de TV ABC, que quando foi informada de que sua sobrinha havia sido encontrada viva, "chorei muito de alegria. Fiquei com vontade de gritar bem alto".

Smith disse que as autoridades a informaram de que sua sobrinha escapou de seu sequestrador, e que estava segura e repousando em um hospital nas imediações. Smith disse que a veria na tarde desta sexta-feira (11).

"Vou lhe dar o maior abraço e dizer que pode contar comigo para tudo que precisar, e que a amo demais", disse Smith.

O departamento policial do condado de Barron teve posição central em uma investigação que veio a incluir policiais locais, estaduais e federais. Surgiram muitas denúncias, e o nome da menina chegou ao topo da lista de desaparecidos do FBI. As autoridades ofereceram uma recompensa de US$ 50 mil (cerca de R$ 186 mil) por seu retorno.

Rua em Barron, Wisconsin (EUA), onde Jayme Closs foi achada
Rua em Barron, Wisconsin (EUA), onde Jayme Closs foi achada - Kerem Yucel/AFP

Um grupo de voluntários que em dado momento chegou a envolver 2.000 pessoas realizou buscas nas áreas rurais do condado de Barron à procura da menina.

Seu desaparecimento e o assassinato cruel de seus pais chocaram essa comunidade de cerca de 3,3 mil pessoas no noroeste do estado do Wisconsin. James Closs, 56, e Denise Closs, 46, trabalhavam em uma empresa local de processamento de carne de peru.

Um telefonema misterioso à linha de emergência da polícia, por volta da 1h do dia 15 de outubro, levou a polícia à casa da família.

A porta da frente havia sido arrombada, e os pais de Jayme foram mortos a tiros. Não havia arma na cena do crime, e a polícia não identificou um motivo evidente para o ataque.

A menina não foi localizada, e a polícia acreditava que tivesse sido sequestrada. Um alerta Amber (notificação de desaparecimento de menor) foi divulgado naquela tarde.

"Com base em nossas informações até o momento, acreditamos que Jayme estivesse em casa no momento dos homicídios, e acreditamos que ainda esteja em perigo", disse Fitzgerald a jornalistas em 17 de outubro.

O xerife acrescentou que "aqui no condado de Barron, todos sabemos que esse tipo de coisa não acontece por aqui".

Horas antes, na quinta-feira, as autoridades negaram informações que estavam sendo difundidas via mídia social de que Jayme havia sido localizada no sudeste do Wisconsin, depois que surgiram rumores de uma forte presença policial na área. Os parentes da menina temeram o pior.

"Houve rumores, mais cedo, e rezei muito; eles terminaram negados", disse outra tia de Jayme, Sue Allard, à WCCO, uma estação local da rede de TV CBS. "Eu me isolei totalmente. Achei que hoje seria o dia, e descobri duas horas depois que ela foi localizada; mal consigo acreditar nisso."

Quando descobriu que sua sobrinha estava mesmo em segurança, Allard disse ter chorado de alegria. "Graças a Deus", ela disse ao Minneapolis Star Tribune.

Uma prima de Jayme, Seara Closs, usou a mídia social para compartilhar seu alívio, tuitando que "ela está viva e a caminho de casa do fundo do meu coração obrigado a todos pela ajuda!!! Jamais poderei retribuir a cada um e a todos vocês por postarem e compartilharem e contribuírem na busca de minha prima Jayme Closs!!!! Muito obrigado a todo mundo!!! Amo muito vocês".

O National Center for Missing and Exploited Children, uma organização que busca crianças desaparecidas, se declarou "mais que feliz" com a notícia de que Closs foi encontrada viva.

"Jayme é um exemplo de por que jamais devemos perder a esperança e jamais devemos deixar de procurar", a organização afirmou no Facebook.

Tradução de Paulo Migliacci

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