Brasil é simpático a ideia de criar alternativa à Unasul e isolar Venezuela

Proposta de Prosul é defendida por colombiano Duque e chileno Piñera, ambos conservadores

Ricardo Della Coletta
Brasília

O governo de Jair Bolsonaro vê com simpatia a proposta, levantada por líderes de direita na América do Sul, de criação de um organismo internacional que se contraponha à Unasul, o que contribuiria para um isolamento ainda maior da Venezuela na região.

A ideia da criação de uma nova aliança, chamada Prosul, foi defendida recentemente pelo presidente da Colômbia, Iván Duque, e conta com o respaldo de outros líderes sul-americanos, como o chileno Sebastián Piñera.

De acordo com auxiliares do governo, a administração Bolsonaro já foi procurada pelos países que encabeçam essa proposta e demonstrou que, em princípio, não vê obstáculos a discutir a ideia.

A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) foi criada em 2008 pelos presidentes que então eram os maiores expoentes da esquerda na América do Sul: Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Cristina Kirchner (Argentina) e Hugo Chávez (Venezuela). O objetivo do órgão era aprofundar a integração regional, mas sem a influência dos Estados Unidos.

No entanto, nos últimos anos se instalou um conflito dentro do órgão que praticamente paralisou suas atividades.

Desde 2017, quando o ex-presidente colombiano Ernesto Samper concluiu seu período à frente do organismo, a Unasul está sem secretário-geral em razão da falta de consenso entre os seus membros.

O critério para o ingresso no novo organismo seria "democrático", de acordo com pessoas que acompanham o tema, o que excluiria a Venezuela.

Se concretizada a aliança, seria mais um gesto de líderes sul-americanos contra a Venezuela, governada pelo ditador chavista Nicolás Maduro. No início de janeiro, os chanceleres do Grupo de Lima acordaram não reconhecer a legitimidade do novo mandato de Maduro, por considerarem que as eleições presidenciais no país em maio não foram justas nem transparentes.  

A proposta de criação do Prosul ainda é preliminar, e há uma série de detalhes que precisam ser discutidos.

Integrantes do governo que acompanham a negociação avaliam, por exemplo, que um eventual novo bloco deveria focar temas concretos, como a questão de infraestrutura, e não se sobrepor a temas que já são tratados no âmbito do Mercosul. 

Jair Bolsonaro tem sua estreia diplomática nesta quarta-feira (16), com a visita a Brasília do presidente argentino Mauricio Macri. 

As áreas que devem ser tratadas na visita serão: combate ao crime organizado e à corrupção, visão da parceria bilateral; defesa, desenvolvimento de satélites e exploração espacial; energia nuclear, dinamização do comércio bilateral e Mercosul. A Argentina é hoje o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás de China e EUA.

Macri estará acompanhado de uma comitiva que inclui, além do seu chanceler, os ministros de Produção, da Economia, da Defesa, da Justiça e da Secretaria de Assuntos Estratégicos. 

Também fará parte da comitiva presidencial argentina a ministra de Segurança, Patricia Bullrich, política linha-dura que tem bandeiras parecidas às de Bolsonaro, entre elas a redução da maioridade penal, para alguns tipos de crime, de 16 para 15 anos.

A passagem de Macri pelo Brasil deve se estender por toda a manhã de quarta-feira, incluindo uma reunião bilateral com Bolsonaro e um encontro ampliado incluindo ministros dos dois países.

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