Descrição de chapéu Venezuela Governo Bolsonaro

Governo Bolsonaro prorroga acolhida de venezuelanos em Roraima

Programa que recebe e distribui os imigrantes pelo país só tinha verba para funcionar até março

Comitiva de ministros do governo Bolsonaro durante a visita a posto de triagem da Operação Acolhida em Boa Vista
Comitiva de ministros do governo Bolsonaro durante a visita a posto de triagem da Operação Acolhida em Boa Vista - Avener Prado/Folhapress
Boa Vista

O governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) decidiu prorrogar a Operação Acolhida, criado para receber e redistribuir a outras partes do país os venezuelanos que chegam a Roraima fugindo da crise econômica e política provocada pelo regime do ditador Nicolás Maduro

O anúncio foi feito pelo governador Antonio Denarium (PSL) durante a visita de cinco ministros a Boa Vista para conhecer algumas das instalações da iniciativa. Pelo orçamento aprovado no governo Michel Temer (MDB), a operação terminaria em 31 de março.

O general Eduardo Pazuello, comandante da Operação Acolhida, disse que foi feito orçamento para prorrogar por mais 12 meses, mas que o tema ainda estão em discussão.

“A necessidade de prorrogação foi um entendimento do governo brasileiro. O fluxo de entrada continua. Se parar esse processo, para a interiorização”, disse nesta quinta-feira (17) à Folha o governador Antonio Denarium, que esteve na semana passada em Brasília para discutir o assunto com o presidente.

A comitiva é formada por Fernando Azevedo (Defesa), Osmar Terra (Cidadania), Ricardo Vélez (Educação) Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e Wagner de Campos Rosário (Transparência). Nesta sexta (18), eles irão a Pacaraima (230 km de Boa Vista, na fronteira com a Venezuela.

É a primeira visita de ministros do governo Bolsonaro ao estado desde que ele tomou posse, em 1º de janeiro. 

Questionado sobre um possível fechamento da fronteira, o ministro da Defesa disse que essa possibilidade está descartada por agora. "Como é que vamos dar as costas para os venezuelanos", disse, em entrevista coletiva.

Azevedo, no entanto, diz que "não tem bola de cristal" para prever como a situação na Venezuela evoluirá.

Durante a tarde, os ministros estiveram no centro de triagem, em área de acolhimento para imigrantes em situação de rua e em dois abrigos.

Ouviram explicações sobre o funcionamento e interagiram com venezuelanos —a secretária Nacional de Justiça, Maria Hilda Marsiaj Pinto, chorou ao ouvir o relato de uma mulher que carregava um bebê nos ombros.

"Ao anunciarem a continuidade da Operação Acolhida e suas ações humanitárias em resposta ao fluxo de venezuelanos, os ministros assumem um compromisso em nome do governo Bolsonaro. Qualquer desvio futuro deste compromisso será firmemente cobrado pela sociedade civil", afirmou em nota a coordenadora de projetos da Conectas Direitos Humanos, Camila Asano. ​

Artigo de Bolsonaro

Em artigo publicado nesta quinta-feira (17) no jornal Folha de Boa Vista, Bolsonaro afirmou que o Brasil "jamais poderia abandonar à própria sorte centenas de venezuelanos que tentam, diariamente, sobreviver à crise humanitária venezuelana".

No texto, o presidente lembrou que o país recebe relativamente poucos imigrantes. "A Colômbia continua sendo o principal destino, enquanto Panamá, Argentina e Espanha recebem mais venezuelanos que o Brasil.”

Curiosamente, o artigo foi publicado com pouco destaque. Não recebeu chamada na capa e ficou no pé da página, embaixo de outros três artigos. O jornal afirma que foi um erro de diagramação.

Até agora, já foram enviados para outros estados 4.292 venezuelanos. Outros 6.500 imigrantes estão distribuídos em 13 abrigos, e há cerca de mil dormindo na rua.

Em média, cerca de 550 venezuelanos ingressam em Roraima por dia. Desse total, menos 5% ficam no estado —os demais voltam para a Venezuela ou continuam a viagem a outras regiões e países vizinhos do Brasil.

Cerca de 80 mil venezuelanos solicitaram refúgio no Brasil nos últimos quatro anos, segundo o Conare (Comitê Nacional para os Refugiados). Na Colômbia, foram registrados 865 mil imigrantes do país caribenho até o final do ano passado.
 

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