Jornalista presa na Nicarágua diz ter sofrido tortura psicológica

Detida sem julgamento, diretora de imprensa de TV se nega a gravar vídeo pedindo desculpas a ditador

Sylvia Colombo
Buenos Aires

Um dos dois jornalistas da emissora 100% Notícias que estão presos desde 21 de dezembro por fazerem críticas ao ditador nicaraguense Daniel Ortega, Lucía Pineda Ubau, passou por sessões de tortura psicológica em que foi interrogada mais de 30 vezes na tentativa de persuadi-la a gravar um vídeo pedindo desculpas ao líder do país.

A revelação foi feita por seu irmão, Alejandro Ubau, que só pôde visitar a irmã nesta terça-feira (22), um mês após sua prisão.

Nicaraguense segura fotos dos jornalistas Miguel Mora e Lucía Pineda, pedindo sua libertação
Nicaraguense segura fotos dos jornalistas Miguel Mora e Lucía Pineda, pedindo sua libertação - Ezequiel Becerra/AFP

Diretora de imprensa da emissora, Lucía Pineda Ubau foi levada pelas forças de repressão da ditadura junto com o diretor do canal, Miguel Mora. Ambos estão detidos, ainda sem julgamento, na penitenciária chamada de El Chipote, em celas comuns, com outros presos.

Alejandro Ubau disse que a irmã foi pressionada a gravar a mensagem em que pedia perdão a Ortega e à polícia e que ela "se negou rotundamente a fazê-lo". Por conta disso, passou uma semana em um solitária e agora está em uma cela comum. O irmão acrescentou que ela pediu que se transmitisse "uma mensagem de resistência, fé e de oração por todos os presos políticos desta ditadura".

A Justiça nicaraguense, controlada pelo ditador Ortega, acusa Lucía Pineda Ubau de "provocação e conspiração para cometer atos terroristas, além de incitar ao ódio por razões de discriminação política".

Além dos dois jornalistas, a perseguição política que vêm sofrendo os meios nicaraguenses levou o jornalista Carlos Fernando Chamorro ao exílio, na Costa Rica, além de provocar um corte de papel e de recursos para outros meios.

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