Descrição de chapéu Venezuela

Membros da cúpula do Exército da Venezuela declaram lealdade a Maduro

Ministro da Defesa fala em 'golpe'; repressão contra protestos já deixou 26 mortos

 
 
Caracas | Reuters e AFP

Após o presidente do Parlamento, Juan Guaidó, se autoproclamar presidente interino do país, o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, disse nesta quinta-feira (24) que Nicolás Maduro é o “presidente legítimo” do país e que a oposição está dando um golpe de estado.

A afirmação aconteceu no mesmo dia que o número de mortos nos protestos da oposição contra o governo chegou a 26 em todo o país segundo a  ONG Observatório Venezuelano de Conflito Social. 

Padrino López disse que os Estados Unidos e outros governos estão efetuando uma guerra econômica contra a Venezuela, nação com as maiores reservas de petróleo do mundo.

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, ao lado de membros da cúpula do Exército em entrevista coletiva em Caracas nesta quinta (24)
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, ao lado de membros da cúpula do Exército em entrevista coletiva em Caracas nesta quinta (24) - Manaure Quintero/Reuters

"Alerto o povo da Venezuela que se está efetuando um golpe de Estado contra a institucionalidade, contra a democracia, contra nossa Constituição, contra o presidente Nicolás Maduro, presidente legítimo", afirmou, ao lado de membros da cúpula militar.

Mais cedo, oito generais que comandam regiões estratégicas do país ratificaram sua "lealdade e subordinação absoluta" a Maduro, em mensagens divulgadas pela televisão estatal.

 
"Leais sempre, traidores nunca", disseram alguns ao final de suas intervenções, permeadas por menções ao falecido líder socialista Hugo Chávez (1999-2013): "Chávez vive, a pátria continua".

Sob Hugo Chávez (1954-2013), que era militar, e depois sob Maduro, o número de generais na Venezuela se multiplicou —hoje superam 2.000, mais do que os 900 que têm os EUA, segundo contabilizou a revista Economist. 

Os militares também ocuparam postos e funções importantes no governo e nas empresas estatais. 

O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela também disse nesta quinta que Nicolás Maduro é o presidente legítimo do país.

"Deixamos absolutamente claro nosso reconhecimento da autoridade legítima, constituída pelo cidadão Nicolás Maduro como presidente constitucional da Venezuela", disse o presidente do órgão, Maikel Moreno, durante uma sessão solene com o ditador —a maior parte do tribunal é formada por chavistas. 

O magistrado também se referiu a Guaidó e disse que a corte não reconhecerá "qualquer alegação inconstitucional de usurpar um cargo definido diretamente em uma eleição popular". Ele afirmou ainda que "na Venezuela um golpe de estado está fermentando com o consentimento de governos estrangeiros".

Durante a sessão, o ditador discursou e disse que concorda com o comunicado conjunto do México e do Uruguai, que pediram diálogo na Venezuela.  

Também nesta quinta, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse ter considerado as declarações de Donald Trump sobre a Venezuela "chocantes" e que as democracias precisam respeitar o resultado de eleições.

Erdogan disse que acredita que o povo venezuelano continuará apoiando Maduro e que é "impossível" para a Turquia aprovar "o que está acontecendo na Venezuela".

Na quarta (23), logo que o presidente americano, Donald  Trump, afirmou que os EUA reconheciam Guaidó como presidente interino da Venezuela, teve início um efeito dominó. Brasil, Colômbia, Equador, Costa Rica, Argentina, Chile, Paraguai e Guatemala são alguns dos países que também reconheceram a autoproclamação do chefe do Parlamento venezuelano.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, pediu à OEA (Organização dos Estados Americanos) que siga Washington e reconheça o opositor de Maduro como presidente interino.

"O tempo de debater acabou", disse o chefe da diplomacia americana em reunião extraordinária da OEA nesta quinta-feira. Pompeo também reiterou as ameaças dos EUA "sobre qualquer decisão dos elementos fiéis ao regime de Maduro sobre o uso de violência para reprimir uma transição política".

No dia anterior, Trump havia afirmado que "todas as opções estão sobre a mesa", quando questionado por repórteres sobre a possibilidade de uma intervenção militar na Venezuela.

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