Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Mourão diz que Brasil não pensa 'por enquanto' em mudança de embaixada em Israel

Em contraponto a Bolsonaro, general diz que, na condução do país, presidente tem de ouvir "as opiniões todas"

O presidente em exercício, Hamilton Mourão, durante audiência com representantes da Palestina - Romério Cunha/VPR
Gustavo Uribe
Brasília

Em um contraponto ao discurso do presidente Jair Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta segunda-feira (28) que o governo federal não avalia, por enquanto, mudar a embaixada brasileira em Israel.

Ele lembrou que a alteração da representação diplomática de Tel Aviv para Jerusalém foi um tema defendido pelo presidente na campanha eleitoral, mas que, agora, no exercício do cargo, ele tem de ouvir "as opiniões todas".

"O Estado brasileiro, por enquanto, não está pensando em nenhuma mudança de embaixada", disse.

"Vamos aguardar. Quem decide é o presidente. Ele agora volta e tem de ouvir as opiniões todas", acrescentou.

Apesar de Mourão ter afirmado que o governo brasileiro não avalia fazer a mudança, no final do ano passado, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse ter ouvido de Bolsonaro que a alteração é apenas questão de tempo.

Nesta segunda-feira (28), o vice-presidente recebeu, em audiência no Palácio do Planalto, o embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben.

Na saída do encontro, ele disse esperar que a embaixada brasileira em Israel seja mantida em Tel Aviv. "Não vai acontecer. Esperamos que não aconteça", afirmou.

Ele disse ainda torcer para que Bolsonaro se recupere logo de cirurgia realizada nesta segunda-feira (28) e o convidou para visitar a Palestina. 

"Saímos muito satisfeitos que as boas relações continuarão entre Brasil e Palestina, respeitando o direito internacional e a tradição brasileira dos últimos 70 anos", disse.

Nesta terça-feira (28), Mourão deve receber o secretário-geral da União das Câmaras Árabes, Kaled Hanafi. Os países árabes têm reclamado da possibilidade de mudança da embaixada.

Em telegrama, obtido pela Folha, um embaixador brasileiro relata que a Arábia Saudita considera "preocupante" e "desagradável" uma eventual alteração.

Para o país, o ato, se concretizado, pode "encorajar outros países a seguir o mesmo caminho", algo classificado como "alarmante" por um alto funcionário da diplomacia do país árabe.

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