Descrição de chapéu Governo Trump

Paralisação do governo americano afeta casamentos, compra de imóveis e até o IR

Impasse entre presidente Trump e democratas trava retomada de serviços públicos

Estátua de panda atrás dos portões fechados do zoológico Smithsonian, em Washington, atingido pela paralisação do governo - Liu Jie - 2.nov.2019/Xinhua
Danielle Brant
Nova York

Os 800 mil funcionários do governo federal que estão de licença não remunerada ou sem receber seus pagamentos são a face mais conhecida da paralisação parcial da administração de Donald Trump que entra em seu 15º dia neste sábado (5).

No dia a dia dos americanos, o apagão provocado pelo impasse entre democratas e o presidente envolvendo o financiamento de um muro na fronteira com o México atinge atos tão prosaicos como casar, comprar uma casa ou declarar logo o Imposto de Renda —estratégia usada por famílias menos endinheiradas para receber os recursos de restituição mais cedo.

Na capital Washington D.C., a dor de cabeça está sendo enfrentada por casais que querem oficializar a união, mas não conseguem, porque o escritório da prefeitura responsável por emitir as licenças teve que dispensar os funcionários em razão da paralisação.

Dan Pollock, fundador da agência de publicidade Cannibal Creative, passou pelo problema. Ele e noiva, Danielle Geanacopoulos, estiveram em um tribunal em D.C. no último dia 27, quando a paralisação do governo entrava em seu sexto dia.

Ao chegar lá, descobriram que o escritório que emite as licenças estava fechado, deixando o casal preocupado –considerando que o casamento estava marcado para dois dias depois.

Em mensagem em uma rede social, Pollock criticou o presidente pelo que chamou de #TrumpShutdown, termo usado pelos democratas para se referir ao apagão parcial. “Graças a você, o escritório de casamentos de D.C. está de licença na semana do nosso casamento! Por favor, fique no Iraque. Sinceramente, ex-servidores públicos que não casaram.”

Para destravar a situação, a prefeitura de D.C. enviou ao conselho local uma lei para permitir a emissão de licenças de casamento durante o apagão parcial. Pollock e Geanacopoulos não quiseram esperar. Eles fizeram a festa e pretendem, agora, realizar uma cerimônia civil em Nova York.

 

Na cidade, diz a prefeitura, a emissão de licença para casamentos não foi afetada –mas não se sabe por quanto tempo. Há informações de que, se a paralisação durar mais de um mês, alguns serviços podem ser prejudicados.

E se quem casa quer casa, a paralisação impacta os dois desejos de uma vez só. Porque além de não conseguirem oficializar a união, os casais também enfrentam dificuldade para comprar um imóvel.

O processamento de hipotecas garantidas por órgãos do governo federal é prejudicado, porque a redução de funcionários provoca um acúmulo de pedidos que devem ser analisados pelos que restaram. Um dos órgãos afetados é a administração federal de habitação, que emite empréstimos para americanos de baixa renda comprarem suas casas.

A restituição do Imposto de Renda também é impactada. Segundo o jornal The Wall Street Journal, quem entregar primeiro a declaração não necessariamente vai receber a restituição mais cedo. A Receita Federal americana começa a receber a prestação de contas no final de janeiro, e quem tem dinheiro a receber começa a ver esse retorno já em fevereiro.

Muitos desses contribuintes usam a restituição para pagar dívidas –que tendem a aumentar com as festas de fim de ano. O atraso ocorre ainda num ano em que eles esperam receber mais dinheiro, em decorrência do corte de impostos implementado ao longo de 2018 pela administração Trump.

Em 2013, uma paralisação do governo federal que durou 16 dias representou o atraso de US$ 4 bilhões em restituição, segundo o escritório de gestão e orçamento do governo.

Enquanto isso, muitos trabalhadores subcontratados por instituições federais, como os muitos museus de Washington D.C., correm o risco de não receber nada, mesmo depois de terminado o apagão.

Eles recebem de empresas que têm contratos com o governo, mas que não podem emitir contas à administração enquanto os locais estiverem fechados. Esses funcionários não terão dinheiro para pagar aluguel e contas de luz e outros serviços.

Nesta sexta, o presidente Donald Trump afirmou que pediria aos donos de imóveis para “pegarem leve” com os funcionários públicos que não estão recebendo salário.

“Eu acho que eles vão. Eu fui locatário por muito tempo. Eles trabalham com pessoas”, disse.

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