Planalto nomeia nova hierarquia do Itamaraty

Ocupantes de seis postos-chave do Ministério das Relações Exteriores foram anunciados nesta quarta

Ricardo Della Coletta
Brasília

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, nomeou nesta quarta-feira seis diplomatas que vão ocupar algumas das principais posições da nova hierarquia do ministério das Relações Exteriores, desenhada pelo chanceler Ernesto Araújo.

Os diplomatas que vão compor os postos-chave no Itamaraty são Pedro Miguel da Costa e Silva (que será secretário de negociações bilaterais e regionais nas Américas), Norberto Moretti (secretário de política externa comercial e econômica), Kenneth Félix Haczynski (secretário de negociações bilaterais no Oriente Médio, Europa e África), Márcia Donner (secretária de Comunicação e Cultura), Fábio Marzano (secretário de assuntos de Soberania Nacional e Cidadania) e Reinaldo José de Almeida Salgado (secretário de negociações bilaterais na Ásia, Oceania e Rússia).

As indicações dos novos secretários estão no Diário Oficial da União. Eles foram nomeados ainda respeitando a nomenclatura antiga da estrutura do Itamaraty, algo que deve ser modificado até o final do mês.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, durante discurso em Davos, na Suíça - Alan Santos/PR

Além dos seis nomes indicados nesta quarta, João Pedro Corrêa Costa é cotado para assumir a secretaria de Gestão Administrativa.

A nova estrutura do Ministério das Relações Exteriores foi criada por Araújo em 9 de janeiro e reflete algumas das diretrizes que o chanceler quer implementar em sua gestão: além de reduzir de nove para sete secretarias, Araújo passou as atribuições da subsecretaria-geral de América Latina e do Caribe para a nova secretaria de Américas, que também englobará os temas referentes a Estados Unidos, Canadá e Organização dos Estados Americanos (OEA).

O escolhido para a função, Pedro Miguel da Costa e Silva, era até hoje diretor do Departamento Econômico do Itamaraty e terá entre as suas novas atribuições as negociações que envolvem o Mercosul.

Uma das prioridades do governo Bolsonaro é empreender uma reforma da aliança aduaneira, promovendo a redução das tarifas de importação do bloco.

O governo também quer trabalhar para fechar os acordos comerciais que o Mercosul está negociando com países de fora do bloco, como é o caso da União Europeia.

No entanto, existe a avaliação de que no futuro será necessário reduzir algumas das amarras que hoje impedem um país-membro de negociar diretamente com terceiros.

Outra marca de Ernesto é a criação da secretaria de Soberania Nacional e Cidadania, que será comandada por Marzano. Ex-assessor internacional do Supremo Tribunal Federal (STF), ele cuidará das áreas de defesa, meio ambiente, direitos humanos, além da atuação do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU).

Três dos indicados —Fábio Marzano, Kenneth Haczynski e Márcia Donner— são ministros de segunda classe, o que quebra uma tradição do Itamaraty de só indicar para as chefias de secretaria os diplomatas que tenham atingido o grau de embaixador.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.