Descrição de chapéu Venezuela

Secretário dos EUA apoia proposta da Colômbia de não reconhecer Maduro

Mike Pompeo se encontrou com Iván Duque para debater a situação em Caracas

O secretário de Estados dos EUA, Mike Pompeo (dir.), durante o encontro com o presidente colombiano Iván Duque em Cartagena
O secretário de Estados dos EUA, Mike Pompeo (dir.), durante o encontro com o presidente colombiano Iván Duque em Cartagena - Divulgação/Presidência da Colômbia/Reuters
Sylvia Colombo
São Paulo

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, se reuniu nesta quinta (3) com o presidente colombiano Iván Duque em Cartagena para expressar o apoio de Washington à posição de oposição do mandatário sul-americano ao atual regime venezuelano

A reunião entre os dois acontece um dia antes do encontro dos ministros de Relações Exteriores dos países que formam o Grupo de Lima (Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru. Guiana e Santa Lúcia). 

O governo colombiano defende um posicionamento duro contra Caracas e Pompeo disse apoiar “seu compromisso para restabelecer a democracia e o Estado de Direito na Venezuela”.

Embora os EUA não façam parte do Grupo de Lima e não estarão na reunião, o americano apoiou também a proposta de Duque para que o novo mandato do ditador Nicolás Maduro, que terá início no próximo dia 10, não seja reconhecido pela comunidade internacional.

Espera-se que o texto final do encontro — que será a estreia internacional do novo chanceler brasileiro, Ernesto Araújo— pelo menos aponte este caminho.

Maduro, por sua vez, afirma que há um plano dos EUA, da Colômbia e do novo governo brasileiro de invadir o país, ainda que os três tenham descartado uma intervenção militar, pelo menos oficialmente.

Reeleito no último dia 20 de maio em um pleito amplamente contestado dentro e fora da Venezuela, por ter parte da oposição impedida de participar, e outra, boicotando abertamente a votação, Maduro assumirá um novo mandato com o país em imensas dificuldades financeiras, que inclui uma inflação superior a 1.000.000% em 12 meses e uma crise humanitária que levou a mais de 10% da população a deixar o país.

A Colômbia vem se mostrando alinhada com os EUA já há vários governos. No ano passado, recebeu a visita do vice Mike Pence, e o ex-presidente Juan Manuel Santos esteve em Washington com Donald Trump.

Até agora, os EUA vêm garantindo ajuda financeira tanto para o acordo de paz com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) quanto para a ajuda humanitária aos mais de 1,2 milhão de venezuelanos que já estão em território colombiano, segundo os números atuais do governo local.

Pompeo, porém, reforçou o pedido feito por Trump e por Pence para que Duque retome as fumigações aéreas com produtos químicos como forma de impedir o aumento dos territórios dedicados ao cultivo de coca para produção de cocaína na Colômbia.

Apesar das repetidas promessas de Santos de resolver o tema sem voltar com a fumigação —tema que gera grande polêmica entre os produtores rurais porque afeta a saúde humana e do gado—, os esforços têm sido em vão.

Desde 2017, o número de hectares dedicadas ao plantio ilícito aumentou de 146 mil para 171 mil, e a Colômbia segue sendo o principal fornecedor de cocaína aos EUA.

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