Descrição de chapéu Governo Trump

Senado americano barra propostas de Trump e democratas para reabrir governo

Paralisação segue para o 34º dia; nenhum dos planos recebeu os 60 votos necessários

Danielle Brant
Nova York

O Senado americano barrou nesta quinta-feira (24) as propostas do presidente Donald Trump e dos democratas para reabrir o governo, jogando por terra a possibilidade de encerrar a paralisação, que já dura 34 dias e é a mais longa da história do país.

O plano do republicano incluía medidas de proteção temporária a imigrantes ilegais nos EUA em troca de dinheiro para construção do muro que o republicano quer erguer na fronteira com o México. A proposta recebeu 50 votos a favor e 47 contrários, mas para seguir adiante, era necessária a aprovação por 60 senadores.

O líder dos republicanos no Senado, Mitch McConnell, deixa o plenário do Senado após a Casa rejeitar as duas propostas
O líder dos republicanos no Senado, Mitch McConnell (de gravata vermelha), deixa o plenário do Senado após a Casa rejeitar as duas propostas - Leah Millis/Reuters

Os republicanos Mike Lee, senador por Utah, e Tom Cotton, de Arkansas, votaram contra a regra, que previa ainda dinheiro para contratar agentes de fronteira

A seguir, foi a vez da votação da medida dos democratas, já aprovada na Câmara dos Deputados, controlada pelo partido. O conjunto de leis financiaria o governo até 8 de fevereiro, mas sem recursos adicionais para a segurança na fronteira. O pacote foi rejeitado por um placar de 52 votos a favor e 44 contrários —também era necessário o apoio de 60 senadores. 

Seis republicanos, entre eles Lamar Alexander (Tennessee), Susan Collins (Maine), Cory Gardner (Colorado), Johnny Isakson (Geórgia), Lisa Murkowski (Alaska) e Mitt Romney (Utah) desafiaram o presidente e votaram com os democratas.

O impasse que provocou a paralisação parcial do governo americano tem em sua origem o muro que Trump quer construir na fronteira com o México. O presidente se recusa a assinar qualquer medida que não contemple dinheiro para a obra, e os democratas rejeitam negociar o assunto enquanto o governo estiver fechado.

Em entrevista a repórteres na Casa Branca, Trump disse que estaria aberto a apoiar um potencial acordo negociado entre o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, e o líder da minoria democrata, Charles Schumer.

“Se eles vierem com um acordo razoável, eu apoiaria, sim”, afirmou Trump. Ele acrescentou que tem “outras alternativas” para lidar com o financiamento ao muro, embora não tenha detalhado.

Já a presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, disse que um acordo que envolva um adiantamento de recursos para o muro não seria aceito.

“O presidente já disse que se eles vierem com um acordo razoável, ele vai apoiar. Eu espero que isso não signifique algum grande adiantamento para o muro.”

“Eu não sei se ele sabe do que ele está falando. Vocês sabem?”, ironizou.

Por causa da paralisação, 800 mil funcionários federais devem ficar sem receber o segundo pagamento nesta sexta. Parques nacionais estão fechados, e aeroportos começam a ter filas por causa de agentes de segurança que estão deixando de comparecer ao trabalho.

No último sábado (19), Trump ofereceu três anos de proteção legal aos cerca de 700 mil participantes do Daca, programa voltado a jovens que migraram na infância para os EUA.

Também propôs uma prorrogação de três anos do status de proteção temporária (TPS, na sigla em inglês) para imigrantes cuja permissão está perto de expirar.

O plano incluía ainda dinheiro em ajuda humanitária e para investimento em tecnologia de detecção de drogas, além da contratação de 2.750 agentes de fronteira e 75 novos juízes de imigração para reduzir os cerca de 900 mil casos pendentes nos tribunais.

 Em troca, a oposição democrata teria que aprovar o financiamento ao muro. 

Antes mesmo do anúncio, Nancy Pelosi já havia descartado as medidas. “Infelizmente, informações iniciais deixam claro que sua proposta é um compilado de várias iniciativas rejeitadas anteriormente, cada uma das quais é inaceitável e, no total, não representam um esforço de boa-fé para devolver a certeza à vida das pessoas”, escreveu, em comunicado. “É improvável que qualquer uma dessas provisões sozinhas passasse na Câmara, e, juntas, são um não-começo.”

Por causa da paralisação, Trump foi forçado a adiar o pronunciamento anual à nação, inicialmente marcado para o próximo dia 29. Ele tomou a decisão depois que a presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, comunicou não ser possível que ele faça o discurso na Casa.

"Enquanto acontecia a paralisação, Nancy Pelosi me pediu que fizesse o Discurso do Estado da União. Eu concordei. Depois ela mudou de ideia por causa da paralisação, sugerindo uma outra data. Essa é a sua prerrogativa. Farei o discurso quando a paralisação acabar", afirmou Trump em tuítes durante a madrugada.


 

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