Terceira mulher entra em templo na Índia, mas protestos arrefecem

Nacional do Sri Lanka estava acompanhada do marido e foi ofertada proteção policial

Nova Déli | Reuters e AFP

Uma mulher de 46 anos e origem cingalesa entrou no templo Sabarimala, no estado de Kerala, no sul da Índia, tornando-se a terceira mulher nesta semana a desafiar proibição de que pessoas em idade menstrual entrassem no local. 

Não está claro como a mulher, identificada apenas como Sasikala, entrou no templo por volta das 22h55 de quinta-feira (3), segundo relatos da imprensa local. 

As duas primeiras mulheres entraram na quarta-feira (2) com escolta da polícia, por uma entrada lateral, sem que os devotos percebessem.

Grupos conservadores hindus paralisaram Kerala, fechando lojas e impedindo o tráfego de transporte público, em protesto contra o governo estadual, de esquerda, que apoia o direito das mulheres de entrarem no templo.

Os protestos contra a coalizão de Kerala, liderada pelo ministro-chefe Pinarayi Vijayan, tiveram apoio dos dois principais partidos nacionais, entre eles o hindu nacionalista Bhartiya Janata Party (BJP), do premiê Narendra Modi.

O templo Sabarimala é um dos poucos na Índia a impedir a entrada de mulheres com idades entre 10 e 50 anos, alegando que a menstruação é impura. Grupos de direitos das mulheres qualificam a proibição de discriminatória. 

Segundo a imprensa local, Sasikala teve o útero removido, o que significa que ela não menstrua. 

As autoridades locais disseram que ela foi ao templo acompanhada do marido e que lhe foi oferecida proteção policial. 

Em setembro, a Suprema Corte indiana ordenou o fim da proibição no templo de Sabarimala, que atrai milhares de devotos todos os anos.

Mas o templo se recusou a cumprir a ordem. 

Nesta sexta (4), a situação em Kerala era mais calma, mas ainda são registrados protestos ao redor do estado. 

Ao todo, mais de 1.350 pessoas foram detidas. 

"A polícia continua extremamente vigilante. Há tensões, mas ainda está tranquilo", declarou V.P. Pramod Kumar, porta-voz da polícia.

Kumar afirmou que proibições de viagem foram emitidas nas cidades de Palakkad e Kasargod, duas das áreas mais afetadas pela violência.

Na terça-feira, milhares de mulheres formaram uma corrente humana para apoiar a decisão judicial da Suprema Corte. A manifestação, chamada de "Muro das mulheres", contou com o apoio do governo de esquerda do estado.

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