Descrição de chapéu Governo Trump

Trump abandona reunião com democratas e chama encontro de perda de tempo

Presidente e oposição mantêm impasse sobre financiamento de muro na fronteira com o México

O presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado do vice, Mike Pence (à dir.) e senadores republicanos - Jim Young/Reuters
Danielle Brant
Nova York

O presidente Donald Trump abandonou uma reunião com democratas nesta quarta-feira (9) para tentar resolver o impasse sobre o financiamento ao muro que ele quer construir no México, segundo o líder democrata Chuck Schumer. Em uma rede social, o republicano chamou o encontro de “total perda de tempo.”

A falta de consenso entre os dois lados deixa o governo americano parcialmente paralisado há 19 dias –são 800 mil funcionários de licença ou trabalhando sem receber e parques nacionais fechados, entre outros efeitos.

Nesta quarta, ambos os lados tiveram nova reunião para tentar conciliar posições. Havia pouca esperança de que isso acontecesse, depois do pronunciamento à nação feito pelo presidente na noite de terça (8), no qual ele condicionou a reabertura do governo à liberação da verba pro muro –opção descartada imediatamente pelos democratas.

E a esperança de acordo durou pouco. Segundo Schumer, “infelizmente o presidente simplesmente levantou e saiu andando.”

“Ele perguntou a [presidente da Câmara, Nancy] Pelosi, você concorda com meu muro? Ela disse que não. E ele levantou e disse “então não temos nada a discutir” e saiu andando. De novo, vimos uma birra porque ele não conseguiu o que queria e ele só saiu andando do encontro”, descreveu o senador democrata.

Schumer afirmou que os democratas querem alcançar um acordo com o presidente e que já apresentaram sua proposta, “que está na sua mesa há algumas semanas”. Ele qualificou a atitude de Trump como “imprópria” para um presidente.

O republicano, por sua vez, qualificou o encontro como “total perda de tempo.”

Em uma rede social, o presidente escreveu que tinha acabado de deixar o encontro com “Chuck e Nancy”, apelido dados aos líderes democratas. “Eu perguntei o que vai acontecer em 30 dias se eu rapidamente reabrir as coisas, vocês vão aprovar [medidas de] segurança da fronteira que incluam um muro ou uma barreira de aço? Nancy disse, NÃO. Eu disse tchau-tchau, nada mais funciona!”

Schumer rebateu o presidente e afirmou que ele não exigiu segurança na fronteira, e sim o muro.

O vice-presidente, Mike Pence, disse, por sua vez, que não haverá acordo sem o dinheiro para a obra. Ele pediu que os democratas voltassem para a mesa de negociações. “Eu sei que há milhões de americanos, centenas de milhares de trabalhadores federais que estão decepcionados como nós que os democratas não queiram entrar em negociações de boa fé.”

Pence voltou a destacar o que o governo qualifica de crise migratória na fronteira com o México e a defender a necessidade de adotar reformas para aumentar a segurança da população americana.

O rompante desta quarta reforça as chances de Trump declarar emergência nacional para construir o muro, o que dispensaria a aprovação do Congresso para obter os recursos para a obra. Um levantamento da CNN indica que, atualmente, os EUA estão com 31 estados de emergência em vigor –que abrangem temas como a proliferação de armas de destruição em massa (1994) e ataques do 11 de Setembro.

Na noite de terça, no pronunciamento à nação, Trump recorreu ao discurso de medo para tentar ganhar o apoio da população à construção do muro e responsabilizar os democratas pelo fechamento do governo.

O presidente Trump, durante discurso transmitido a partir do Salão Oval da Casa Branca - Joshua Roberts - 8.jan.2019/Reuters

Trump reiterou que a paralisação continua enquanto o financiamento ao muro não for liberado e afirmou que os EUA enfrentam uma crise “humanitária, do coração e da alma”.

Na última quinta (3), no primeiro dia do controle democrata da Câmara dos Deputados, os congressistas aprovaram duas medidas que buscavam reabrir o governo.

Foram aprovadas duas medidas separadas. Uma incluía dinheiro para financiar temporariamente o Departamento de Segurança Doméstica nos níveis atuais até 8 de fevereiro, dando tempo para que democratas e republicanos continuem as negociações sobre o financiamento ao muro.

Outra proposta financiaria os departamentos de Agricultura, Interior e outros até 30 de setembro, quando termina o atual ano fiscal.

Mas, sem o dinheiro para o muro, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, se recusou a colocar as propostas para votação.

Até agora, o governo americano já sofreu 21 paralisações desde que o Congresso introduziu a lei de controle que determina o processo orçamentário no país.

A paralisação parcial já é a segunda maior registrada pelo governo americano, superando a paralisação de 17 dias completos em setembro de 1978, da Presidência de Jimmy Carter.

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