Descrição de chapéu Governo Trump

Trump promete estender salvaguarda a crianças migrantes em troca de muro

Oposição democrata diz que oferta é inaceitável; acordo visa encerrar paralisação do governo

Danielle Brant
Nova York

O presidente Donald Trump ofereceu neste sábado (19) uma salvaguarda legal a imigrantes ilegais que chegaram aos Estados Unidos quando crianças e estender por três anos a autorização daqueles cujo status está perto de expirar.

Em troca, a oposição democrata teria que aprovar o financiamento ao muro que ele quer construir na fronteira com o México.

O impasse sobre esse dinheiro provoca uma paralisação que já dura 29 dias, a mais longa da história do país –e que parece longe do fim. Isso porque, mesmo antes de formalizada, a proposta já era descartada por lideranças democratas, com base nas informações sobre o plano que vazaram à imprensa americana.

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O presidente americano Donald Trump fala sobre a paralisação do governo, neste sábado (19) - Yuri Gripas/Reuters

​Trump ofereceu três anos de proteção legal aos cerca de 700 mil participantes do Daca, programa voltado a jovens que migraram na infância para os EUA. Eles teriam acesso a autorizações para trabalhar, registro de seguridade social e seriam resguardados de deportação.

Também propôs uma prorrogação de três anos do status de proteção temporária (TPS, na sigla em inglês) para imigrantes cuja permissão está perto de expirar.

O plano inclui ainda US$ 800 milhões (R$ 3 bilhões) em ajuda humanitária e US$ 805 milhões para investimento em tecnologia de detecção de drogas, além da contratação de 2.750 agentes de fronteira e 75 novos juízes de imigração para reduzir os cerca de 900 mil casos pendentes nos tribunais.

“Este é um compromisso de senso comum que os dois partidos deveriam abraçar”, disse o presidente. “A esquerda radical [em referência aos chamados democratas socialistas] nunca vai poder controlar nossas fronteiras. Eu nunca vou deixar isso acontecer.”

O presidente informou que Mitch McConnell, líder da maioria republicana no Senado, colocaria a lei em votação na próxima semana.

Antes mesmo do anúncio, Nancy Pelosi já havia descartado as medidas. “Infelizmente, informações iniciais deixam claro que sua proposta é um compilado de várias iniciativas rejeitadas anteriormente, cada uma das quais é inaceitável e, no total, não representam um esforço de boa-fé para devolver a certeza à vida das pessoas”, escreveu, em comunicado. “É improvável que qualquer uma dessas provisões sozinhas passasse na Câmara, e, juntas, são um não-começo.”

Pelosi também disse que colocaria em votação medidas para reabrir o governo na próxima semana. Só depois o Congresso começaria a negociar as propostas para segurança da fronteira. Segundo a presidente da Câmara, os democratas passariam seis medidas pactuadas por negociadores da casa e do Senado.

Esse foi o primeiro aceno que Trump fez desde que os dois lados mergulharam no impasse que provocou a paralisação parcial do governo. Como resultado, 800 mil funcionários federais estão de licença ou trabalhando sem receber, parques estão fechados e aeroportos sofrem atrasos.

O presidente se recusa a assinar quaisquer medidas para financiar o governo que não contemplem verba para a obra. Os democratas rejeitam aprovar qualquer lei que tenha essa provisão.

O aceno aos adversários ocorreu após conversas do vice-presidente, Mike Pence, e Jared Kushner, genro e conselheiro sênior de Trump, com congressistas e com McConnell.

Pence e Kushner acreditavam que conseguiriam convencer democratas a se unir a republicanos e aprovar uma lei no Senado, o que pressionaria Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados, a chegar a um acordo.

Os democratas argumentam que o presidente é o único responsável pela paralisação e descartam negociar com o republicano até que o governo seja reaberto.

Durante a campanha eleitoral de 2016, o presidente prometeu que o México pagaria pelo muro. Desde que assumiu o cargo, porém, insistiu que o projeto fosse financiado com dinheiro de contribuintes americanos.
Trump chegou a ameaçar declarar emergência nacional para construir o muro, mas recuou.

No último domingo (13), pesquisa da emissora ABC News e do jornal The Washington Post mostrou que a maioria dos americanos responsabiliza o presidente e congressistas republicanos pela paralisação.

Segundo o levantamento, 53% dizem que Trump e os republicanos são os principais responsáveis pela paralisação, enquanto 29% culpam os democratas. Para 13%, os dois lados estão errados.

A pesquisa mostra que somente 18% dizem ter sido afetados pessoalmente pelo apagão parcial, mas 79% admitem que podem enfrentar problemas sérios ou uma crise se a situação continuar por meses.

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