Vórtex polar faz temperaturas despencarem nos EUA, com sensação de -50ºC

Frio intenso é provocado por ciclones formados nos polos e que ganham força no inverno

Neve e dia frio em Montréal, no Canadá, também atingido pelo vórtex polar
Neve e dia frio em Montréal, no Canadá, também atingido pelo vórtex polar - Martin Ouellet-Diotte/AFP
Danielle Brant
Nova York

O Meio-Oeste, a costa leste americana e partes do Canadá se preparam para temperaturas congelantes nesta semana, com a mínima chegando a -30ºC em cidades como Chicago, que estará mais fria que partes do Alasca e da Antártica, segundo meteorologistas.

O frio intenso é provocado por um fenômeno conhecido como vórtex polar, ciclones formados nos polos e que ganham força no inverno. Ocasionalmente, esse sistema polar de baixa pressão pode ficar tão distorcido que alcança o sul, espalhando ar frio nessa direção —e atingindo os Estados Unidos, no caso específico.

Chicago, no estado de Illinois, será um dos locais que estará no epicentro do frio extremo, com temperaturas bem abaixo de zero entre esta terça (29) e sexta-feira (1º).  Na cidade, a máxima será de -25ºC e a mínima, de -30ºC nesta quarta (30). Já Priestley Glacier, na Antártica, terá temperatura entre -14ºC e -21ºC. No Alasca, a mínima prevista é de -24ºC.

Caso a previsão se materialize, será a menor temperatura em Chicago desde que as autoridades começaram a medir e manter os registros. Os ventos gelados ainda podem fazer a sensação térmica despencar para -45ºC na cidade e para -51ºC em Minneapolis.

Segundo o serviço climático nacional americano, 75% da população nos EUA será submetida a temperaturas abaixo de zero até domingo (3). Só algumas partes da Flórida, do Texas, da costa pacífica e do sudoeste americano verão os termômetros positivos.

Autoridades de Chicago estão usando ônibus como centros de aquecimento móveis e dando dicas de como descongelar canos. O prefeito Rahm Emanuel afirmou que unidades municipais, centros comunitários, bibliotecas e delegacias também seriam usados como locais de aquecimento.

Em Wisconsin, o governador Tony Evers declarou estado de emergência e solicitou que a Guarda Nacional estivesse pronta a ajudar.

A atuação de vórtices polares fora de sua região de origem tem se tornado mais comum nos últimos anos, e alguns cientistas acham que pode haver ligação com as mudanças climáticas.

Na noite de segunda, o presidente Donald Trump voltou a ironizar o aquecimento global. Em mensagem em uma rede social, o republicano escreveu que, “no belo Meio-Oeste, temperaturas gélidas estão alcançando menos 60 graus [Fahrenheit, -51ºC], a mais fria jamais registrada.”

“Nos próximos dias, a expectativa é que fique ainda mais frio. As pessoas não podem durar lá fora sequer por minutos. Que diabos está acontecendo com o Aquecimento Global? Por favor volte rápido, precisamos de você!”

Além do frio, a massa polar provoca outros transtornos. Até o momento, 1.125 voos com origem ou destino para os Estados Unidos foram cancelados, segundo o site FlightAware. Outros 1.073 estavam atrasados até 12h40 (horário de Nova York) desta terça.

Em Minneapolis, as aulas em escolas públicas foram suspensas nesta terça e quarta. Em Michigan, funcionários públicos foram mandados para casa mais cedo.

No sul dos EUA, alguns estados também se preparam para as temperaturas mais baixas. Louisiana acionou a equipe responsável por crises, enquanto o Alabama declarou estado de emergência.

Na Geórgia, onde neste domingo (3) ocorre a final do futebol americano, o Super Bowl, o governador informou que alguns escritórios estaduais seriam fechados nesta terça em três condados, alguns deles em Atlanta.

Enquanto isso, a Austrália vive situação inversa. Uma onda de calor provocou recordes de temperatura no país, segundo o escritório de meteorologia australiano. A semana encerrada em 18 de janeiro teve quatro dos dez dias mais quentes do país, informou o órgão. Em Port Augusta, no sul, os termômetros bateram 48,5º C no último dia 15, o maior nível desde que o registro começou a ser feito, em 1962.

No Brasil, o calor também bate máximas. Em São Paulo, a temperatura deve superar a marca de 34,4ºC do último dia 9 de janeiro e estabelecer um recorde no ano, segundo a Climatempo.

“A chance de janeiro de 2019 ficar entre os cinco meses mais quentes já observados em 76 anos de medição do Inmet [Instituto Nacional de Meteorologia] é muito alta”, indicou o Climatempo, em comunicado.

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