Descrição de chapéu Venezuela

Apenas paramilitares atuam na repressão de civis na Venezuela, diz Araújo

Para chanceler, isso mostra que Exército venezuelano não apoia violência do regime de Maduro

São Paulo

Apenas paramilitares e milícias estão agindo na repressão de civis na Venezuela, e isso indica que os militares venezuelanos não estão dispostos a apoiar a violência, afirmou o chanceler Ernesto Araújo em entrevista nesta segunda-feira (25), em Bogotá.

O vice-presidente americano, Mike Pence, e o líder oposicionista e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, participam de encontro do Grupo de Lima em Bogotá.
O vice-presidente americano, Mike Pence, e o líder oposicionista e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, participam de encontro do Grupo de Lima em Bogotá. - Diana Sanchez/AFP

O ministro acompanha o vice-presidente, Hamilton Mourão, em reunião do Grupo de Lima para discutir a crise venezuelana. O encontro também tem a presença do vice-presidente dos EUA, Mike Pence.

“Toda a repressão mais brutal que está havendo perto das fronteiras com Colômbia e Brasil vem de grupos paramilitares, milícias, e não do Exército”, disse Araújo a jornalistas. “Isso é um indicativo de que não há disposição das Forças Armadas da Venezuela de amparar essa repressão.”

De acordo com o ministro, o processo de deserções de militares venezuelanos só está começando.

“Já há mais de 100 membros das forças venezuelanas que passaram para o lado de Guaidó, isso será um passo fundamental”, disse, referindo-se ao autoproclamado presidente interino, reconhecido pelo Brasil e outros países. 

“É um processo que está começando, e toda a pressão diplomática que estamos fazendo vai incentivar que cada vez mais membros das Forças Armadas passem para o lado do Guaidó.”

Os militares brasileiros consideram fundamental que haja uma massa crítica de oficiais desertando para desestabilizar o regime, mas isso ainda não está ocorrendo. 

Embora Guaidó tenha feito um apelo para que o Brasil explore todas as opções para ajudar a derrubar o governo Maduro, Araújo voltou a afirmar que a opção militar está fora de cogitação.

“A força militar está totalmente descartada, confiamos na possibilidade de esforço diplomático do Brasil e outros países, a situação já é totalmente diferente, povo venezuelano está se mobilizando, e a mobilização só tem a crescer, apoiada pela nossa pressão política.”

Indagado se teria se mostrado disposto a abrigar militares americanos no Brasil para fazer a ajuda humanitária chegar a seu destino, Araújo negou.

“Não está absolutamente em cogitação, e eu nunca falei isso; não tem a menor possibilidade.”

Segundo o chanceler, a prioridade no momento é fazer chegar à Venezuela a ajuda que já está em Roraima, mas isso “depende da situação no terreno”.

O ministro admitiu, no entanto, que o governo brasileiro não tem nenhum canal de comunicação com o governo Maduro.

“Não temos nenhum diálogo político ou diplomático com o governo Maduro, na questão da fronteira ou qualquer outra, não consideramos mais que regime Maduro seja governo, todo contato é com Guaidó.”

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