Descrição de chapéu Venezuela Governo Bolsonaro

Chanceler descarta que militares dos EUA usem Brasil para enviar ajuda humanitária à Venezuela

Segundo Ernesto Araújo, governo brasileiro tem condições de organizar logística com meios próprios

Ricardo Della Coletta
Brasília

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, descartou nesta terça-feira (5) que tropas americanas ou de outro país utilizem território brasileiro para fazer chegar ajuda humanitária à Venezuela.

Araújo realiza nesta semana uma visita aos Estados Unidos, onde se encontrou nesta terça com o secretário de Estado, Mike Pompeo, e com o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo (dir.), cumprimenta o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, antes de encontro em Washington - Yuri Gripas/Reuters

“Qualquer que seja a maneira de chegar ajuda humanitária, a gente tem certeza de que não é necessário ter tropas americanas ou de outro país [no Brasil]. Teríamos condições de proporcionar a logística para isso com os nossos próprios meios”, declarou Araújo, em Washington, a jornalistas.

Na véspera, Araújo participou de uma reunião, no Canadá, do Grupo de Lima, um dos principais fóruns de pressão internacional contra a ditadura de Nicolás Maduro.

No encontro, o Brasil endossou uma declaração conjunta na qual os países do Grupo de Lima “consideram imperativo que se garanta o acesso à ajuda humanitária para satisfazer as necessidades urgentes dos venezuelanos” e “instam as Nações Unidas, suas agências e a comunidade internacional a estarem preparadas para prestar assistência humanitária à população daquele país.”

Na mesma declaração, assinada na segunda (4), o Grupo de Lima faz um apelo às Forças Armadas da Venezuela para que não impeçam “o ingresso e o trânsito da ajuda humanitária aos venezuelanos" e prestem lealdade ao presidente autodeclarado interino da Venezuela, Juan Guaidó.

Araújo disse nesta terça que o Brasil está avaliando como seria possível participar do esforço de envio de ajuda.

“Nós estamos coordenando isso, vários órgãos estão envolvidos nessa operação pelo Brasil. Estamos criando um processo de coordenação lá em Brasília para ver como seria a logística, como poderíamos ajudar com essa questão do trânsito e da disponibilização da ajuda humanitária. Como parte do nosso esforço de consolidar o processo de transição democrática”, afirmou.

“Claro que o Brasil como país vizinho pode fazer muito para disponibilizar essa ajuda. O desafio logístico é grande, isso que precisamos ver os detalhes com os outros órgãos envolvidos”, concluiu.

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