Comissão Eleitoral desqualifica candidatura de princesa na Tailândia

Em comunicado, órgão assinalou que 'todos os membros da família real estão acima da política'

Bancoc (Tailândia)

A princesa da Tailandia, Ubolratana Rajakanya Sirivadhana Barnavadi, 67, foi desqualificada oficialmente da disputa pelo cargo de premiê pela Comissão Eleitoral do país nesta segunda-feira (11). Em comunicado, o órgão afirmou que "todos os membros da família real estão acima da política". 

A incursão da princesa na política já havia sido rejeitada publicamente por seu irmão, o rei Maha Vajiralongkorn, 66, que classificou a ideia como inapropriada e inconstitucional.   

A princesa da Tailândia, Ubolratana Rajaka
Ubolratana Rajaka, princesa da Tailândia, durante evento de cinema em Hong Kong - Bobby Yip - 24.mar.2010/Reuters

A Tailândia é uma monarquia constitucional desde 1932, mas a família real ainda exerce grande influência e conta com a devoção de milhões e nenhum de seus membros nunca disputou o cargo de premiê nesse período.

Ubolratana abdicou de seus títulos reais em 1972 ao se casar com o americano Peter Jensen, com quem viveu na Califórnia por 26 anos. Ela voltou à Tailândia após divorciar-se em 1994 e ainda é considerada parte da família real. 

A princesa foi indicada para disputar o cargo por uma sigla leal ao premiê deposto Thaksin Shinawatra, figura no centro da turbulência política e dos protestos de rua de opositores que assolam a sociedade tailandesa há anos. O partido retirou sua candidatura no sábado (9).

 Chancelada pela Comissão Eleitoral, a decisão da sigla aumenta as chances de vitória da junta militar chefiada pelo general  Prayuth Chan-ocha na eleição legislativa de março. Primeiro desde o golpe militar de 2014, o pleito é visto como uma batalha direta entre os populistas de Thaksin, de um lado, e o establishment fiel à realeza e aos militares, de outro.

Reformista e muito popular entre a população de baixa renda, Thaksin sempre foi visto pela velha Guarda Real e pelos militares como uma ameaça à monarquia. A situação motivou dois golpes de Estado militares contra seus governos, em 2006 e 2014.

Os militares são considerados próximos da família real, em especial ao antigo rei Bhumibol Adulyadej, morto em 2016 e substituído por seu filho Vajiralongkorn. Sob o comando de Chan-ocha, o regime aprovou uma nova Constituição para redefinir o panorama político e garantir que os militares continuem influentes após o pleito. 

AFP
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