Descrição de chapéu Venezuela

Jornalistas deixarão Venezuela após serem detidos durante entrevista com Maduro

Profissionais da TV Univisión ficaram presos em quarto escuro após ditador se irritar com pergunta

O jornalista Jorge Ramos, âncora da TV Univisión, em entrevista após ser liberado - Carlos Garcia Rawlins - 25.fev.2019/Reuters
Washington | AFP

O jornalista Jorge Ramos e uma equipe da Univisión, um dos principais canais hispânicos dos Estados Unidos, deixarão a Venezuela nesta terça-feira (26), após serem detidos por mais de duas horas no Palácio de Miraflores, sede da Presidência do país, enquanto entrevistavam o ditador Nicolás Maduro.

"Esperamos na terça-feira poder partir ao meio-dia rumo à Miami", disse Ramos a agências de notícias. Ele garantiu que tinha todas as autorizações para fazer o trabalho jornalístico.

Ramos, apresentador da Univisión, explicou que estava entrevistando Maduro quando mostrou um vídeo de jovens que comiam alimentos do lixo. Neste momento, o ditador "interrompeu a entrevista e saiu".

"Eu perguntara se ele era um presidente ou um ditador, porque milhões de venezuelanos não o consideram um presidente legítimo, sobre as acusações de Juan Guaidó [líder opositor reconhecido como presidente interino por 50 países] de que ele era um usurpador do poder", disse Ramos.

"Ficamos detidos, não há outra palavra, por mais de duas horas no palácio de Miraflores", completou o jornalista, que estava com uma equipe de seis pessoas. "Eu e a produtora Maria Guzmán fomos levados para um quarto, onde apagaram as luzes. Retiraram nossos celulares, mochilas e objetos pessoais", disse

Após o incidente, a equipe de seis jornalistas retornou para o hotel em Caracas. Eles foram alvo de uma ordem de deportação do governo. 

"Se isto acontece com correspondentes estrangeiros, o que acontece com os venezuelanos?", disse o mexicano Ramos em entrevista por telefone à Univisión depois que ele e sua equipe foram liberados à noite.

A TV indicou que Maduro "se irritou com as perguntas de uma entrevista e determinou deter a gravação, apreender os equipamentos e reter os seis jornalistas".

Os jornalistas esperam a devolução de câmeras, cartões de memória e celulares, indicou Ramos.

Ramos, que já protagonizou um bate-boca com o presidente americano, Donald Trump, contou que o ministro da Comunicação venezuelano, Jorge Rodríguez, disse-lhes durante a entrevista que a mesma não estava autorizada.

"Esta é uma violação total à liberdade de expressão, uma violação aos direitos humanos; eles acreditam que a entrevista é deles, não nossa", prosseguiu Ramos.

O ministro Jorge Rodríguez, disse no Twitter que o governo já acolheu centenas de jornalistas no palácio Miraflores, mas que não apoia "shows baratos" feitos com a ajuda do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

O Departamento de Estado informou que recebeu a notificação de que Ramos e sua equipe estavam retidos contra sua vontade no Palácio de Miraflores. "Insistimos em sua libertação imediata; o mundo está de olho", reagiu o Departamento de Estado em publicação nas redes sociais.

Guaidó também criticou o episódio no Twitter. "Condenamos os atos violentos do usurpador com o jornalista @jorgeramosnews e sua equipe da Univisión. O desespero do usurpador é cada dia mais evidente, não conseguiu responder as perguntas", escreveu.

O senador republicano Marco Rubio, defensor da oposição venezuelana nos Estados Unidos, repudiou o fato dizendo que "este é um regime arrogante que se sente invulnerável e agora age com total impunidade".

A presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), María Elvira Domínguez, disse que a ação do regime de Maduro "equivale a um sequestro".

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