Nove morrem em confrontos entre militares e rebeldes na Caxemira indiana

Tensão aumenta depois de atentado terrorista, que matou 41 policiais indianos na semana passada

Srinagar (Índia) | Reuters e AFP

Pelo menos nove pessoas morreram nesta segunda-feira (18) na Caxemira indiana, em mais um conflito entre militares e rebeldes de Índia e Paquistão. Os confrontos ocorreram numa operação militar, em resposta ao atentado que matou 41 policiais na região na última quinta-feira (14). 

Segundo fontes do governo, a polícia indiana matou três militantes do grupo paquistanês Jaish-e-Mohammad (JeM), que assumiu a responsabilidade pelo ataque da semana passada.

Estudantes indianos exibem cartazes e protestam contra o Paquistão durante procissão em homenagem aos mortos do atentado na Caxemira indiana
Estudantes indianos exibem cartazes e protestam contra o Paquistão durante procissão em homenagem aos mortos do atentado na Caxemira indiana - Arun Sankar - 18.fev.18/AFP

"O confronto ainda está acontecendo, e as forças de segurança estão em campo", disse a polícia em comunicado. Quatro soldados indianos, um policial e um civil também foram mortos. Outros nove soldados ficaram feridos. Alguns rebeldes conseguiram fugir.

As mortes desta segunda-feira ocorreram depois que forças de segurança lançaram uma operação contra um suposto esconderijo rebelde no distrito de Pulwama, a 30 km ao sul de Srinagar. 

Desde a semana passada, forças indianas iniciaram uma grande operação para encontrar os rebeldes, suspeitos de praticar o ataque suicida. No domingo, a polícia disse que as forças indianas detiveram 23 homens suspeitos de ligações com os militantes que realizaram o atentado.

O ataque de quinta-feira e os confrontos desta segunda-feira são os mais graves na Caxemira indiana desde setembro de 2016, quando militantes invadiram um acampamento do Exército indiano em Uri e mataram 20 soldados. 

Índia e Paquistão disputam a região da Caxemira desde 1948 e reivindicam o território inteiro como seu, enquanto governam parte dele. A Índia acusa o Paquistão de dar apoio material aos militantes. Islamabad diz que só oferece apoio moral e diplomático à Caxemira muçulmana. 

Em 2019 já são 50 mortos na região. Em 2018 foram cem civis assassinados em outros episódios relacionados ao conflito.

A tensão na Caxemira já levou a três guerras e deixou mais de 45 mil mortos. Preocupa o fato de os dois países serem potências nucleares. 

O ataque pode colocar o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, sob pressão política para agir contra os militantes e o Paquistão. Randeep Singh Surjewala, porta-voz do principal partido de oposição no Congresso, acusou Modi de comprometer a segurança.

"Zero ação política e política zero para enfrentar o terror levaram a uma situação de segurança alarmante", disse Surjewala em uma série de publicações em uma rede social.

Modi prometeu que os responsáveis vão "pagar" ​​pelo atentado suicida, que desencadeou uma onda de indignação na Índia, com manifestações e apelo à vingança.

No domingo, manifestantes em Nova Déli, capital da Índia, queimaram símbolos de autoridades paquistanesas e do grupo Jaish-e-Mohammed. Em várias cidades houve ataques contra os cidadãos da Caxemira. Nas redes sociais circulam pedidos de vingança, o que preocupa os grupos de direitos humanos.

"Estamos em um momento perigoso, e as autoridades devem fazer tudo o que puderem para manter o Estado de Direito", disse Aakar Patel, chefe da Anistia Internacional na Índia. "Cidadãos da Caxemira, que estão espalhados em toda a Índia, estão apenas buscando melhorar suas vidas e não devem ser alvo da violência simplesmente por causa de onde eles vêm".

As manifestações também se espalharam para as duas grandes obsessões indianas: o críquete e a indústria cinematográfica de Bollywood.

Vários torcedores de críquete pediram à Índia que boicote uma partida da Copa do Mundo contra o Paquistão em junho, enquanto o Cricket Club da Índia encobriu um retrato do primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan —ex-jogador de críquete—, em seu escritório em Mumbai.

A All India Cine Workers Association pediu a proibição de paquistaneses na indústria cinematográfica. A Confederação de Todos os Comerciantes da Índia pediu uma greve nacional para protestar contra o ataque. Lojas foram fechadas em vários estados. 

A cidade de Srinagar, onde ocorreu o atentado, enfrentou o quarto dia de toque de recolher. Depois do ataque houve incêndios criminosos em propriedades de muçulmanos.

Para restringir o fluxo de informações, a internet foi cortada em todo o estado. A estimativa das autoridades é de que a Índia tenha meio milhão de soldados mobilizados na Caxemira, uma das zonas mais militarizadas do mundo.

Os observadores, no entanto, estimam que a Índia conterá sua resposta no curto prazo. O motivo é a visita à região do príncipe herdeiro saudita Mohamed bin Salmán.

Nova Deli e Islamabad procuram manter boas relações com a Arábia Saudita. Mohamed bin Salman está, nesta segunda (18), no Paquistão e, em seguida, ficará por dias na Índia. 

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