Descrição de chapéu Venezuela

Regime Maduro canta vitória em bloqueio de ajuda humanitária

Diosdado Cabello, nº 2 do chavismo, diz que nenhum caminhão passou e que governo não se renderá

Caracas | AFP

O governo venezuelano celebrou, neste domingo (24), como uma "vitória" o bloqueio da entrada da ajuda humanitária no sábado, depois de graves distúrbios nas fronteiras com a Colômbia e o Brasil.

"Hoje consolidamos a vitória de ontem, amanhã consolidaremos ainda mais esta vitória. Nem um único caminhão com ajuda humanitária passou", declarou o número 2 do regime, Diosdado Cabello, em um ato em San Antonio del Táchira, na fronteira com a Colômbia.

O número 2 do chavismo, Diosdado Cabello, faz discurso em San Antonio de Táchira, na fronteira com a Colômbia - Federico Parra/AFP

Acompanhado por generais leais ao ditador Nicolás Maduro, Cabello, presidente da Assembleia Constituinte que governa o país com poder absoluto, assegurou que o governo está firme em sua posição.

"Nós não nos rendemos nem vamos nos render."

"Ontem [sábado] nós mostramos a eles, não caímos no que queriam, não demos os mortos que eles queriam, agimos de forma muito inteligente até a vitória", disse. 

San Antonio está ligada à cidade colombiana de Cúcuta —principal centro de armazenamento da ajuda enviada pelos EUA— pela ponte Simón Bolívar, cenário de distúrbios no sábado, onde dois caminhões com alimentos e medicamentos foram queimados.

Mais cedo, o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, culpou a oposição liderada por Juan Guaidó pela violência. Guaidó se declarou presidente interino da Venezuela, sendo reconhecido como tal por cerca de 50 países.

"Tudo aconteceu na Colômbia", disse ele, acusando "guarimberos [manifestantes da oposição] drogados" de incendiar os veículos.

As populações venezuelanas que fazem fronteira com a Colômbia e o Brasil estavam sob pressão neste domingo, com focos de confrontos entre manifestantes e forças de segurança em Ureña —também na fronteira com— Cúcuta e San Antonio. 

Os militares bloquearam a ponte Simón Bolívar com um caminhão no domingo. Grupos de jovens encapuzados lançaram pedras contra policiais e militares, que deslocaram um tanque para o local.

Em Ureña também houve confrontos. Um cordão de soldados bloqueava neste domingo a entrada de uma ponte fronteiriça entre Ureña e Cúcuta.

Em Santa Elena de Uairén, na fronteira com o Brasil, também houve momentos de tensão. Cerca de 20 venezuelanos em território brasileiro enfrentaram os militares posicionados na fronteira, que responderam com gás lacrimogêneo.

Com os rostos cobertos, os jovens lançaram pedras e outros objetos durante meia hora contra os agentes da Guarda Nacional Bolivariana, que avançou mais do que o costume e se manteve alinhada a 50 metros da linha de demarcação fronteiriça.

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