Descrição de chapéu Venezuela

Venezuelanos andam por trilha ilegal para ir a evento em Cúcuta

Caravanas de cidades vizinhas caminharam 10 km até a Colômbia

Em San Antonio, Venezuela, pessoas caminham em direção à Cúcuta, Colômbia, para o evento Venezuela Aid Live
Em San Antonio, Venezuela, pessoas caminham em direção à Cúcuta, Colômbia, para o evento Venezuela Aid Live - Juan Barreto/AFP
Ureña (Venezuela) | AFP

Da cidade de San Antonio, fronteira com Colômbia, grupos caminhavam com bandeiras da Venezuela ao lado da estrada até a vizinha Ureña. Seu destino: Cúcuta, para ir ao Venezuela Aid Live, evento para arrecadar ajuda internacional para o seu país.

Numerosas caravanas de pessoas a pé foram para Cúcuta nesta sexta-feira (22), através das "trilhas" ou "caminhos verdes", como eles chamam cruzamentos ilegais de fronteira, para ir ao evento.

"É emocionante. Estamos nos olhos do mundo", disse o advogado Aura Vargas, 40, à agência AFP. Vargas também agradeceu o apoio de artistas internacionais a iniciativa de Juan Guaidó, líder parlamentar reconhecido como presidente interino da Venezuela por cinquenta dos países, incluindo o Brasil.

"Eu amo Alejandro Sanz, Carlos Vives, Maná. É algo único, imperdível!", acrescentou com um sorriso.

Durante a caminhada de dez quilômetros, o grupo de Vargas passou em frente a ponte da fronteira, bloqueado pelas Forças Armadas com cargas e outros obstáculos, onde o governo de Nicolás Maduro montou seu próprio evento contra o "intervencionismo".

Militares, fortemente armados, patrulhavam os arredores da região.

No lado colombiano da ponte acontece o evento organizado pelo magnata britânico Richard Branson, com artistas como os espanhóis Alejandro Sanz e Miguel Bosé, os colombianos Vives e Juanes, o dominicano Juan Luis Guerra, o porto-riquenho Luis Fonsi e os venezuelanos José Luis Rodríguez ( 'El Puma') e Nacho.

"Têm muitas pessoas que estão morrendo. Pessoas com câncer, doença grave", lamentou Magdalena Valero, 64, referindo-se à escassez de medicamentos, um dos sintomas mais graves da crise econômica na Venezuela.

"A ajuda humanitária é urgente", acrescentou Valero antes de tomar uma das trilhas, perto de Tienditas.

"Sim, podemos!" Era a canção de outra caravana, de cerca de vinte pessoas que atravessavam o rio Táchira, uma das barreiras naturais para o público.

As travessias de pedestres entre San Antonio, Ureña e Cúcuta funcionam normalmente. No entanto, muitos optaram pelas trilhas para evitar aglomerações e controles de fronteira.

Em resposta à ofensiva de Guaidó, Maduro ordenou nesta quinta-feira (21) o fechamento da fronteira com o Brasil e ameaçou outras medidas contra a Colômbia.

Cerca de 40.000 venezuelanos atravessam travessias de pedestres todos os dias.

A grande maioria volta após comprar medicamentos e produtos em falta em seu país, embora o êxodo forçado pela crise continue a crescer, com a migração de 2,7 milhões de pessoas desde 2015, segundo a ONU.

"Chantagem"

No evento de Maduro, as pessoas começaram a se reunir ao meio-dia. Mesmo quando o evento foi lançado com atividades culturais sob os slogans "Para a guerra, nada" e "Tirem as mãos da Venezuela".

"É uma surpresa", disse o chavista, Darío Vivas, que disse que o cardápio será extenso, embora tenha acusado os grupos econômicos de "chantagear" os artistas para impedi-los de participar.

Enquanto isso, em restaurantes, oficinas mecânicas ou lojas em San Antonio e Ureña, o evento de Cúcuta é transmitido pela televisão, graças à internet ou aos sinais colombianos que chegam na área.

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